01/07/2015 20:39 - Direito e Justiça
Radioagência
“Margaridas” cobram aprovação do projeto que cria fundo de enfrentamento à violência contra mulher
A aprovação do projeto de lei que cria o Fundo Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres (PL 7371/14) foi a principal reivindicação da Marcha das Margaridas durante reunião da Comissão de Direitos Humanos. O movimento é formado pelas trabalhadoras rurais do Brasil. Alessandra Lunas, representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, pediu que a proposta seja aprovada até o dia 12 de agosto, data em que o grupo realizará a marcha.
"Eu queria aqui uma grande prioridade: contar com os parlamentares no sentido de que a gente, até 12 de agosto, uma data que para nós é simbólica, que a gente pudesse ter inclusive esse passo também muito concreto no enfrentamento à violência contra as mulheres com a votação desse projeto de lei que para as Margaridas simboliza muito."
O simbolismo da data se deve ao assassinato da líder sindical Margarida Maria Alves. Ela era presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba, e foi assassinada em 1983. A marcha é uma homenagem a ela.
As trabalhadoras entregaram à comissão um documento com outras reivindicações da classe. São 25 propostas divididas em sete eixos e que tramitam na Câmara e no Senado. Um desses projetos é o que cria a Política Nacional de Economia Solidária. A representante da Marcha Mundial das Mulheres, Maria da Conceição Bezerra, explicou a importância da economia solidária.
"É uma troca onde consumidores e produtores estão numa mesma batalha, que é de um preço justo e uma produção que tenha a satisfação das pessoas."
Maria da Conceição comentou ainda a proposta aprovada na Câmara, no último dia 28 de abril, que acaba com a exigência do símbolo da transgenia nos rótulos dos produtos com organismos geneticamente modificados, que também é uma causa do movimento.
"Nós viemos aqui dizer que nós queremos ter o nosso direito de escolher o que nós comemos e nós queremos comer alimentos saudáveis."
A representante do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste, Maria Verônica de Santana, falou sobre outra proposta do grupo, que é a efetiva implementação do Plano Nacional de Agronegócio e Produção Orgânica.
"Esse plano precisa ter uma visão diferente do Congresso e do governo e a gente está trazendo, como uma das estratégias, fazer um eixo exclusivo para essa questão da agroecologia, unindo com a questão da segurança pública."
O pedido de desarquivamento do projeto de lei que proíbe a derrubada de palmeiras de babaçu no Maranhão, Piauí, Pará, Goiás e Mato Grosso também foi uma solicitação das trabalhadoras. Atualmente apenas o Tocantins proibiu a derrubada da árvore.
A quinta edição da Marcha das Margaridas será realizada no próximo dia 12 de agosto, aqui em Brasília. A marcha já ocorreu cinco vezes desde o ano 2000. O tema desse ano é "As Margaridas seguem em marcha por desenvolvimento sustentável com democracia, justiça, autonomia, igualdade e liberdade”.








