14/05/2015 15:21 - Direitos Humanos
14/05/2015 15:21 - Direitos Humanos
"No que diz respeito à juventude branca, nós temos um decréscimo nas taxas de homicídio. Mas, no que diz respeito à nossa juventude negra, nós temos um aumento das taxas de homicídio. Então, significa que nós temos que ainda construir políticas específicas para a nossa juventude negra no Brasil, para superar desigualdades e garantir a vida dos nossos jovens e das nossas jovens."
Apesar das garantias da ministra, o deputado Orlando Silva, do PCdoB de São Paulo considerou que ainda há uma tolerância do Estado com a violência contra os jovens negros.
"Há impunidade, e isso permite uma espécie de - entre aspas - autorização para violar, para matar jovens negros no Brasil. Esse é um tema decisivo para que o Brasil possa garantir direitos humanos e a vida da nossa juventude, a vida do nosso povo negro."
Na avaliação dos parlamentares, o racismo também se reflete na pouca representatividade da população negra na Câmara dos Deputados, como alertou a deputada Maria do Rosário, do PT do Rio Grande do Sul. Na opinião dela, muitos dos temas em debate no Parlamento reafirmam a prática.
"Enquanto nós tivermos um plenário, ou o poder, que é branco, que é masculino, que é ligado a uma classe, vinculado ao próprio poder econômico em si, e, do lado de fora, nas periferias urbanas, estiverem os negros e negras, as mães chefes de família, aquelas que perdem seus filhos, a cada final de semana, na saída de uma festa ou na volta da escola, na noite... Enquanto nós estivermos aqui debatendo o absurdo da redução da maioridade penal, sem percebermos que o que estamos produzindo é uma espécie renovada, é um discurso renovado, mas com fundamentos racistas e retrógrados, contrários à nossa juventude, que a criminalizam, porque o rosto dos jovens que morrem no Brasil vítimas da violência é um rosto negro."
Na sessão da Câmara, a ministra Nilma Lino fez um histórico da luta contra o racismo no Brasil. Ela lembrou fatos como a classificação, na Constituição de 1988, do racismo como crime inafiançável e imprescritível e a mais recente criação de cotas para negros em universidades e no serviço público.
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