08/05/2015 19:38 - Política
Radioagência
Denúncias de demissões e superfaturamento levam CPI da Petrobras ao Complexo Petroquímico do Rio
Integrantes da CPI da Petrobras visitaram nesta sexta-feira (8) a sede do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, para investigar denúncias de demissões de trabalhadores e superfaturamento na obra, praticamente paralisada em função das investigações da Operação Lava-Jato e das suspeitas de pagamento de propina por parte de empresas contratadas.

Orçada inicialmente em US$ 8,4 bilhões, o complexo hoje é estimado em US$ 47,7 bilhões. O valor foi questionado pelo Tribunal de Contas da União. O deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), autor do requerimento para a visita, comemorou os resultados.
"Por mais que em Brasília depoimentos sejam apresentados, documentos sejam trazidos, nada substitui uma constatação no local, a dimensão do problema: o Comperj."
Em depoimento à CPI da Petrobras no mês passado, o ex-gerente do Comperj Jansen Ferreira da Silva disse desconhecer superfaturamento na obra. Dois empresários que fizeram delação premiada à Justiça Federal, Júlio Camargo e Augusto Mendonça, afirmaram na CPI que houve, sim, pagamento de propina na obra para os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque, assim como para o ex-gerente de Tecnologia Pedro Barusco.
Ainda nesta sexta-feira (8), outro grupo de parlamentares, integrantes da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara investigaram demissões de trabalhadores nas empresas que atuam no Porto de Suape, em Pernambuco, onde estão a Refinaria Abreu e Lima e o Estaleiro Atlântico Sul, principais alvos da investigação.
Assim como no Comperj, as demissões teriam ocorrido após o início do escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras na Operação Lava-Jato.
Nos últimos três meses, de acordo com o presidente da Comissão de Trabalho, deputado Benjamin Maranhão (SD-PB), a Petrobras restringiu o pagamento dos aditivos dos contratos por suspeita de irregularidades, o que ocasionou a demissão de milhares de trabalhadores de refinarias e estaleiros.
"Só na indústria da construção civil pesada, voltada para as plantas industriais e investimentos como este da Abreu e Lima e da montagem do estaleiro Atlântico Sul, foram 24 mil demissões no Estado de Pernambuco, nesse período que inclui o final de 2014 e início de 2015. É uma situação bastante preocupante do ponto de vista do impacto nestes empregos."
Benjamin Maranhão defendeu a punição dos envolvidos em corrupção, sem comprometer as atividades dessas empresas e de seus trabalhadores.








