07/05/2015 18:49 - Política
Radioagência
CPI da Petrobras: empresário diz que auditoria não encontrou irregularidades em contratos
Em mais de cinco horas de depoimento à CPI da Petrobras, o executivo Luiz Eduardo Guimarães Carneiro, presidente da Sete Brasil, uma das empresas investigadas pela Operação Lava-Jato, disse que uma auditoria interna feita nos contratos da empresa não encontrou irregularidades. A Sete é suspeita de envolvimento no esquema porque um ex-diretor da empresa, Pedro Barusco, afirmou em depoimento à Polícia Federal que estaleiros contratados para construir sondas de perfuração pagaram propina a funcionários da Petrobras e ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.
Para o presidente da empresa, se houve pagamento de propina, isso não se deu por meio dos contratos, mas fora da Sete Brasil.

"Internamente, através dos contratos da Sete, não foi. O que eu tenho de informações sobre isso é aquilo que a imprensa divulgou do conteúdo da delação premiada do senhor Barusco, que ele teria feito os acordos por fora, diretamente com terceiros, mas não usando internamente os contratos da Sete."
Luiz Eduardo Carneiro assumiu a presidência da Sete brasil há um ano e apontou dificuldades financeiras da empresa, principalmente porque, com a Operação Lava-Jato, o BNDES não liberou empréstimo de 18 bilhões de dólares que iria financiar a construção das sondas. Com isso, a Sete Brasil não paga os estaleiros desde novembro do ano passado, o que já provoca desemprego. E o número de postos de trabalho envolvido na operação é grande.
"E o potencial disso é de 150 mil empregos. O projeto sendo implantado como estava previsto, nós estamos falando de 120 mil empregos entre construção e operação de sondas e mais 30 mil empregos de construção e ampliação de estaleiros, diretamente contratados pelos estaleiros."
Durante o depoimento do empresário, o deputado Paulo Pereira da Silva, do Solidariedade de São Paulo, informou que vai apresentar requerimento pedindo a convocação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ele justificou o pedido dizendo ter informações de funcionários do Ministério Público de que houve vazamento da operação Lava-Jato. O pedido causou polêmica na sessão. A deputada Eliziane Gama, do PPS do Maranhão, disse ser contra o pedido.
"Na verdade, a gente compreende que há um constrangimento ilegal. O procurador está dentro de suas prerrogativas de fazer a investigação, a Constituição Federal é clara referente à autonomia do Ministério Público e não cabe a esta Casa ingerir numa investigação que está em curso."
No início da semana que vem, os deputados da CPI vão para Curitiba ouvir os depoimentos de 13 pessoas, entre elas o doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e o empresário Fernando Soares, apontado como operador do PMDB.








