05/05/2015 23:07 - Política
Radioagência
CPI da Petrobras: Paulo Roberto Costa culpa cartel e envolvimento de políticos na indicação de diretorias
O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa foi ouvido durante seis horas pela CPI da Petrobras e confirmou o que já havia dito à Justiça Federal em mais de 60 depoimentos.
Ele confessou que participou de esquema de corrupção na estatal e disse que o desvio de dinheiro e pagamento de propina só foram possíveis por três motivos: a formação de cartel por parte das empresas contratadas, os projetos básicos falhos da Petrobras e o envolvimento de políticos na indicação de diretorias.
Segundo ele, a propina era embutida na taxa de lucro das empresas e abastecia campanhas eleitorais. Ele citou 28 políticos com quem teve contato direto, entre deputados, ex-deputados, senadores, ex-senadores e governadores. E acusou três partidos como principais beneficiários do esquema: o PT, o PP e o PMDB. Mas mencionou ainda o PSB e o PSDB.

Paulo Roberto Costa disse que foi nomeado diretor por indicação do ex-deputado José Janene, do PP. Segundo ele, esse foi o início do esquema de corrupção descoberto pela Operação Lava-Jato.
"A gênese disso não foi minha. Eu não procurei o deputado José Janene para assumir nada. Eu fui procurado por eles e aceitei. Errei. Mas a gênese desse processo veio do grupo político dos maus políticos, que não são todos, obviamente."
O ex-diretor da Petrobras disse que a corrupção foi possível porque as empresas contratadas pela Petrobras se organizaram em um cartel para evitar a concorrência. E que a Petrobras errou ao fazer licitações sem detalhar os projetos. Mas que o dinheiro pago em forma de propina para partidos políticos depois era recuperado pelas empresas.
"Não tem empresa inocente. Essas empresas todas que fizeram ‘n’ doações, aí que tem muito problema, nas doações, que isso é um câncer da sociedade brasileira, que é uma hipocrisia pensar que essas empresas dão 10, 15 milhões de uma campanha sem pensar que isso vai ter retorno."
O relator da CPI, deputado Luiz Sérgio, do PT do Rio de Janeiro, disse que Paulo Roberto Costa não apresentou novidades em relação ao que disse à Justiça.
"Com toda sinceridade, eu acho que nós tivemos mais do mesmo."
Nesta quinta-feira, a CPI da Petrobras vai ouvir o depoimento de dois executivos da empresa Sete Brasil, acusada de pagar propina a diretores da Petrobras.








