28/04/2015 19:21 - Saúde
Radioagência
Comissão discute situação do paciente renal crônico no Brasil
A Comissão de Seguridade Social discutiu em audiência pública o problema do paciente renal crônico no Brasil. Uma portaria publicada pelo Ministério da Saúde em março do ano passado foi o centro do debate.
O coordenador-geral de Média e Alta Complexidade do Ministério da Saúde, José Eduardo Fogolin, explicou que a portaria mudou a forma de cuidar desses pacientes. De acordo com ele, o cuidado não está sendo mais pautado especificamente para a hemodiálise.
"É uma mudança no paradigma do cuidado, que antes era um cuidado pautado especificamente para hemodiálise. Agora o cuidado está amplo, no cuidado da pessoa que ainda não tem necessidade de hemodiálise, na fase pré-dialítica que a gente chama, e também aos que estão em hemodiálise, podendo ter oferta de outros serviços e não apenas a hemodiálise, na máquina de diálise, mas também a diálise peritoneal."
Fogolin disse ainda que essa política pública implementada no ano passado possibilita uma formação profissional permanente aos profissionais do SUS ao especializá-los no cuidado à pessoa com doença renal crônica.
Gilson Nascimento da Silva, presidente da Associação dos Renais e Transplantados do Estado do Rio de Janeiro, afirmou que no papel a portaria é muito bonita. No entanto, acredita que faltou um pacto efetivo do Ministério da Saúde com os estados e um bom planejamento de implementação da política pública.
"Acho que tem que partir do ministério uma conversa séria com os atores envolvidos nisso, para que a gente possa realmente avançar nessa questão. Não adianta só estar no papel, isso tem que ser implementado, e a implementação disso ela se baseia numa construção. Numa construção de participação de todas as pessoas da sociedade nefrológica do Brasil."
Gilson afirmou ainda que o reuso dos dialisadores é uma prova de que a portaria não é implementada. O dialisador é um instrumento utilizado durante a filtragem do sangue. Segundo ele, desde que a portaria foi publicada foi dado um ano para que os dialisadores não fossem mais reutilizados, o que não acontece.
O deputado Mandetta, do DEM do Mato Grosso do Sul, pediu ao representante do Ministério da Saúde, José Eduardo Fogolin, que apresentasse à comissão o que precisa ser feito para que a portaria seja totalmente implementada. Segundo o deputado, isso dará condições para que o colegiado saiba de que maneira a comissão pode atuar.
"Eu coloquei a ele que ele busque nessa comissão não aplausos e nem vaia, mas que ele traga aqui um plano do governo federal que essa comissão possa colocar no Orçamento recursos públicos para a gente atender... Porque esse número vai explodir nos próximos dez anos. Vai ser um aumento absurdo do número de renais crônicos que vão precisar de máquinas de transplante. Para que ele traga qual é proposta, porque se for achar bom o que está fazendo, aí nós estamos todos em um barco muito furado."
Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, 100 mil pessoas fazem diálise no Brasil e existem 750 unidades cadastradas no País, sendo 35 apenas na cidade de São Paulo. Existem três modalidades de tratamento da doença renal crônica: a hemodiálise, a diálise peritoneal e o transplante de renal. A principal diferença entre os dois primeiros procedimentos é que a diálise peritoneal pode ser feita em casa.








