23/04/2015 17:27 - Direitos Humanos
Radioagência
Políticas públicas de combate à violência têm de garantir direitos de jovens negros, diz especialista
A maioria das pessoas assassinadas no Brasil é negra. Segundo levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, os negros somam 68%% das vítimas de assassinatos em 2013. Mais da metade tinha entre 15 e 29 anos e 93% eram homens.
Durante audiência da CPI da Violência contra Jovens Negros, o vice-presidente do conselho de Administração do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, afirmou que os números revelam um problema racial no País e que essa questão racial não pode ser associada apenas à baixa renda. Para Renato Lima, as políticas públicas de combate à violência têm que levar em conta a garantia de direitos dessa parcela da população.
"A gente tem que pensar quem são as vítimas preferenciais. Tem sim que pensar o foco no jovem, todas as evidências mostram isso. E todas as evidências mostram que a gente precisa levar em consideração o jovem negro."
Com base nos dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Renato Lima também destaca a necessidade de aumentar as relações de confiança das instituições públicas com a sociedade civil. Para ele, as informações disponíveis devem ser transformados em ações.
"O debate político é mais do que legítimo, mas se a gente tem dados e a gente faz com que os dados sirvam para que as instituições prestem conta, com certeza a gente desideologiza as posições e começa a trabalhar com os fatos concretos."
Para o presidente da CPI, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), é preciso acabar com a impunidade.
"De 1985 a 2014 foram várias chacinas. Apenas 5% de inquéritos foram instalados. Nós precisamos cobrar das autoridades responsáveis que seja apurado. O problema da violência no País não é o tamanho da pena. É o tamanho da impunidade. Nós queremos também apontar para o futuro. Para isso precisamos conhecer a história e propor algo que elimine esse genocídio que existe hoje em relação aos jovens negros e pobres. A ideia é construir um Plano Nacional de Enfrentamento ao homicídio e à violação de direitos no Brasil. Um plano decenal. E dentro deste plano, nós vamos ter que ter políticas afirmativas."
Estudos de outras instituições também apontam o negro como o perfil da vítima de violência no País. De acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade e do Censo Demográfico do IBGE, de 2010, enquanto a taxa de homicídios de negros era de 36 mortes por 100 mil negros, entre os brancos esse índice era de 15,2.
Já um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de 2013 estima que mais de 39 mil pessoas negras são assassinadas todos os anos no Brasil, contra 16 mil indivíduos de todas as outras raças.
Segundo o "Mapa da Violência 2014: Os jovens do Brasil", os homicídios são hoje a principal causa de morte de jovens de 15 a 29 anos, e atingem especialmente jovens negros do sexo masculino, moradores das periferias e áreas metropolitanas dos centros urbanos. Em 2012, dos 56.337 mortos por homicídios no Brasil, 53% eram jovens. Destes, 77% eram negros (assim considerados a soma de pretos e pardos) e 93,3% eram homens.
Pesquisa na Rádio
Durante audiência da CPI da Violência contra Jovens Negros, o vice-presidente do conselho de Administração do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, afirmou que os números revelam um problema racial no País e que essa questão racial não pode ser associada apenas à baixa renda








