09/04/2015 20:05 - Administração Pública
Radioagência
CPI da Petrobras: tesoureiro do PT nega ter recebido propina
Em sete horas de depoimento à CPI da Petrobras, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, negou ter recebido propina de empresas contratadas pela estatal, como afirmam delatores da Operação Lava Jato. Em uma sessão tumultuada, que teve bate-boca entre deputados do PT e da oposição e até um homem detido depois de soltar roedores no plenário, Vaccari disse que o Partido dos Trabalhadores não recebeu dinheiro de propina na forma de doações oficiais eleitorais.
A acusação foi feita pelo Ministério Público Federal com base em depoimentos de empresários e ex-funcionários da Petrobras em processo de delação premiada que corre na Justiça Federal de Curitiba.
Vaccari compareceu à CPI protegido por um habeas corpus que dava a ele o direito de permanecer calado, mas mesmo assim respondeu perguntas dos deputados. Ele admitiu, por exemplo, conhecer vários dos empresários e funcionários acusados de receber propina, inclusive o doleiro Alberto Youssef, considerado o chefe do esquema de lavagem de dinheiro.
Ele disse, porém, que essas relações não tinham ligação com o recebimento de propina. Depois de pressionado pelos deputados, ele acabou confirmando que foi uma vez ao escritório de Youssef, mas não o encontrou.
"O senhor Alberto Youssef mandou pra mim o recado para que eu fosse até o escritório dele. Nós não marcamos data. Lá eu compareci e ele não estava presente. E eu fui embora."
O tesoureiro do PT confirmou à CPI que recebeu R$ 400 mil de um empresário ligado ao doleiro Youssef, mas disse que foi um empréstimo usado para pagar a compra de uma casa. Os deputados da comissão não ficaram satisfeitos com o depoimento e querem agora uma acareação entre Vaccari e o ex-gerente de Tecnologia da Petrobras Pedro Barusco, um dos delatores que o acusam de recebimento de propina.
O presidente da CPI, deputado Hugo Motta, do PMDB da Paraíba, é favorável à acareação.
"Acredito que essas acareações são inevitáveis, até para que a CPI possa atingir o resultado esperado. E nós vamos trabalhar sempre defendendo as investigações."
Os deputados do PT acusam a CPI de criminalizar o partido e cobram a convocação de outros acusados, como o empresário Fernando Soares, que é apontado como operador do PMDB e está preso em Curitiba. O líder do PT na Câmara, deputado Sibá Machado, atribui as acusações ao partido a uma disputa política na CPI.
"Por que os outros tesoureiros não vêm aqui falar, se pegaram das mesmas empresas? Por que quando a gente aprova para trazer os nomes que nós temos citados aqui não se aprova os requerimentos? Por que não se aprova. Não se aprova um requerimento nosso."
O próximo depoimento na CPI será do empresário Augusto Mendonça Neto, do grupo Toyo Setal, que disse ter pago mais de R$ 50 milhões em propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque.








