25/03/2015 21:24 - Política
Radioagência
Consultor da Câmara relaciona suspensão de obras em refinarias com dificuldade da Petrobras de obter crédito
A decisão da Petrobras de suspender as obras de instalação de duas refinarias no Maranhão e no Ceará está ligada à dificuldade da estatal de obter financiamento para bancar os projetos. A afirmação foi feita nesta quarta-feira pelo consultor legislativo da Câmara Paulo César Ribeiro Lima. Ele participou de audiência pública da comissão externa que investiga a paralisação dos empreendimentos.
A dificuldade de captação teria surgido na esteira das denúncias da Operação Lava-Jato, que comprometeram a imagem diante dos investidores e a saúde fiscal da empresa, que em janeiro teve sua nota de risco rebaixada em janeiro.
Sem conseguir o aval financeiro para os projetos, a estatal optou por cancelá-los, gerando um prejuízo de quase R$ 3 bilhões. O valor refere-se a obras que vinham sendo feitas nos locais de instalação, como de terraplanagem. Bacabeiras (no Maranhão) e Caucaia (no Ceará) iriam abrigar as unidades de refino da estatal.
Segundo Paulo César Lima, a estatal não possui caixa próprio para financiar as refinarias. Isso só poderia ser feito caso ela desistisse de outros investimentos. O problema é que a companhia privilegia a produção e exploração de petróleo, que são mais rentáveis do que o refino. Antonio Araújo / Câmara dos Deputados

"O cancelamento de Premium I e Premium II está intimamente ligado à dificuldade de captação de recursos extras para investir em uma área que não é prioritária. Quando a gente ouve aqui a notícia de que [a Moody's] rebaixou, isso tem uma relação direta com investimento em refino."
O consultor da Câmara descartou a possibilidade de que empresas privadas possam assumir os projetos do Ceará e Maranhão. Segundo ele, além de o retorno financeiro ser menor, o refino no Brasil não tem uma política de preços transparente, o que afasta os investidores. Apesar de os preços serem legalmente liberados, o governo acaba influindo na definição do valor na bomba, entre outras razões para controlar a inflação.
Antes do início da audiência pública, os deputados integrantes da comissão fizeram duras críticas à estatal petrolífera pela ausência de dois gestores que haviam sido convidados para falar nesta quarta: Jorge Ramos, diretor de Abastecimento, e Fábio Lopes de Azevedo, diretor-geral da Lubnor, uma das refinarias da estatal. Os dois enviaram ofícios informando que não poderiam comparecer por compromissos assumidos anteriormente.
A coordenadora do colegiado, deputada Eliziane Gama, do PPS do Maranhão, criticou a ausência deles. Ela disse que se os gestores não comparecerem, poderá solicitar a convocação dos dois pela CPI da Petrobras, que investiga a operação Lava-Jato.
"Vamos dar oportunidade mais uma vez para que eles possam estar aqui presentes, caso contrário, estaremos encaminhando à CPI, porque nós não podemos jamais deixar de ter as informações necessárias que estarão consignadas no relatório."
Já o relator da comissão, deputado Raimundo Gomes de Matos, do PSDB do Ceará, criticou o fato de o gerente do escritório de Brasília da Petrobras, João Lima Romeiro, ter enviado um ofício sugerindo uma reunião dos membros da comissão no Rio de Janeiro, onde fica a sede da estatal. Para Matos, a sugestão é um desrespeito à comissão que vem discutindo a suspensão das refinarias.








