18/03/2015 21:13 - Política
Radioagência
Cid Gomes pede demissão após bate-boca com deputados na Câmara
O ministro da Educação, Cid Gomes, compareceu à Câmara para explicar declarações dadas a um grupo de estudantes na Universidade Federal do Pará, no mês passado. Na ocasião, o ministro disse que haveria de 300 a 400 deputados "achacadores" que se aproveitam da fragilidade do governo.
Cid Gomes pediu desculpas aos deputados que se sentiram ofendidos e ressaltou que a declaração sobre os "achacadores" refletia sua opinião pessoal, não como ministro.
Após o debate com deputados, Cid Gomes pediu demissão do cargo. O pedido foi aceito pela presidente Dilma Rousseff.
Durante sua fala aos deputados, Gomes afirmou que os parlamentares da base do governo deveriam agir como aliados.

"Partidos de oposição têm o dever, o dever de fazer oposição. Partidos de situação têm o dever de ser situação, ou então larguem o osso! Saiam do governo! Vão para a oposição!"
De acordo com Gomes, o governo, "teoricamente", deveria ter maioria na Câmara pela quantidade de deputados que compõem as bancadas da base e da participação de seus partidos no Executivo.
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, disse que vai processar Gomes pelas declarações feitas pelo ex-ministro. Cid Gomes disse que preferia ser acusado de mal-educado do que ser acusado de achaque.
"Não vou admitir que alguém que seja representante do Poder Executivo não só agrida esta Casa, como agrediu a todos os seus parlamentares, como vem aqui e reafirme a agressão, inclusive chegando ao ponto de querer dominar. Então, a Procuradoria vai processar. A Presidência vai processar."
Cunha encerrou a comissão geral porque o então ministro saiu do Plenário da Câmara após ser chamado de "palhaço" pelo deputado Sérgio Sveiter, do PSD do Rio de Janeiro.
O procurador da Câmara, deputado Claudio Cajado, do DEM baiano, vai entrar com um processo extrajudicial e dois judiciais contra Gomes por prevaricação e ato de improbidade administrativa. Ele quer que o ministro reconheça a autoria da fala em que se refere a deputados como "300 ou 400 achacadores", indique quem seriam tais parlamentares e quais os malfeitos imputados a eles.
"Ao não dar os nomes, ele está cometendo um crime de responsabilidade, ele está prevaricando porque se ele acusa alguém de um crime e não nomina, ele está sendo omisso. Segundo, se ele não diz quem é e como se dá esse achaque, ele está sendo conivente."
Vários parlamentares criticaram as declarações de Gomes e cobraram sua saída do ministério. O líder do PMDB, deputado Leonardo Picciani, do Rio de Janeiro, ao se referir a parlamentares como "achacadores", Cid Gomes desrespeitou o Parlamento.
Já o líder do partido de Gomes, o Pros, deputado Domingos Neto, do Ceará, rebateu as críticas da oposição e do PMDB. As críticas ao ministro, segundo Domingos Neto, têm a intenção de ver mais uma cadeira vaga na Esplanada do Ministério.








