30/12/2014 18:04 - Ciência e Tecnologia
Radioagência
Novos instrumentos tecnológicos podem ajudar a combater a violência contra a mulher
Vencedores e organizadores do Hackathon de Gênero e Cidadania destacam os novos instrumentos tecnológicos de combate à violência contra as mulheres. O Hackathon é uma espécie de maratona de criatividade tecnológica, e esta edição especial foi promovida pelo Laboratório Hacker e a Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados no fim de novembro. Ao todo, 165 pessoas se inscreveram e apresentaram 70 projetos de aplicativos, dos quais 19 foram selecionados para a fase final, segundo os critérios de interesse público, criatividade e qualidade técnica. Vencedor na categoria "Violência contra a Mulher", o aplicativo "Minha Voz" mapeia os serviços públicos disponíveis para as vítimas e ainda tem espaço para depoimentos e denúncias. Professora de programação de computadores, Salete Almeida conta que elaborou o aplicativo em conjunto com a psicóloga Daniela Rozados e outros profissionais que conhecem bem o cotidiano de violência feminina.
"Já passamos por alguns problemas e sabemos da importância de se ter um aplicativo ou um site voltado para esta temática, não só em relação às mulheres, mas também de outros gêneros. O Hackathon trouxe a possibilidade de a gente transformar o projeto em realidade e ajudar pessoas. Outra coisa boa que o Hackathon trouxe para a gente foi o espírito colaborativo: nós estávamos lá juntos com outras pessoas e projetos - cada um, na sua temática, querendo ajudar o próximo - e podemos compartilhar conhecimentos".
O aplicativo está disponível no site www.minhavoz.com. Já o programa "Dona Maria" foi o vencedor na categoria "Políticas de Gênero Relacionadas à Participação, Representatividade e Transparência". O aplicativo tem o slogan "lugar de mulher é na política" e visa conscientizar a população sobre as desigualdades de gênero no processo eleitoral. A deputada Érika Kokay, do PT do Distrito Federal, elogiou os 11 projetos de aplicativos apresentados nesta categoria específica do Hackathon.
"O primeiro aspecto é colocar a tecnologia a serviço de uma sociedade mais igualitária, onde não haja dor em ser mulher. O segundo é que dá visibilidade a uma desigualdade de direitos que é permanente em nosso país. Nem todas as violências deixam marca na pele, mas algumas deixam apenas a marca na alma e são profundamente doídas. E o terceiro é o envolvimento da própria sociedade na busca de condições e instrumentos para que possamos ter uma sociedade em que as mulheres tenham os mesmos direitos dos homens".
O coordenador do Laboratório Hacker da Câmara, Cristiano Ferri, ressalta que o Hackathon não é uma competição, mas uma "ação educativa para estimular o trabalho colaborativo" em uma rede formada por parlamentares, servidores da Câmara e desenvolvedores de projetos. Ferri destacou especialmente a elevada participação feminina nesta edição do Hackathon de Gênero: mulheres elaboraram metade dos aplicativos selecionados.
"Superou a expectativa em muito, principalmente em relação à participação da mulher, que esteve presente de forma contundente. Isso gerou uma outra dinâmica. Os 19 aplicativos estão em fase diferenciadas de desenvolvimento e o nosso trabalho, neste momento pós hackathon, é estimular que essas pessoas, participantes e outras entidades possam contribuir para que esses projetos sejam continuados e melhorados".
A premiação das equipes vencedoras do Hackathon de Gênero está prevista para março, durante as comemorações do Dia Internacional da Mulher. Os autores dos aplicativos "Minha Voz" e "Dona Maria" vão ganhar uma viagem a Washington, nos Estados Unidos, para conhecer as ações de gênero e cidadania desenvolvidas pelo Banco Mundial.








