26/11/2014 19:11 - Agropecuária
Radioagência
Incentivo à agricultura familiar pode ajudar a combater obesidade, dizem especialistas
O Brasil avançou nos últimos 15 anos em termos de segurança alimentar, ao sair do mapa da fome da ONU e reduzir os índices de desnutrição no País. Mas agora enfrenta um novo desafio: combater a obesidade. Para isso, o estímulo à agricultura familiar será essencial, já que a mudança nos hábitos alimentares do brasileiro estaria relacionada à concentração do mercado agroalimentar. Essa foi a avaliação dos participantes do Seminário Direito Humano à Alimentação Adequada e Agricultura Familiar, realizado nesta quarta-feira (26) na Câmara.
O professor da Universidade Federal da Fronteira do Sul Julian Perez informou que, no Brasil, 51% da população adulta masculina e 48% da população adulta feminina está obesa. Segundo ele, cada vez mais a alimentação do brasileiro se reduz a poucos alimentos e isso está diretamente relacionado à concentração da produção agroalimentar nas mãos de poucas empresas:
"São alimentos de baixa qualidade nutricional, alto concentração de teores de gorduras, ultra processados, baseados em monoculturas, em poucas espécies, não respeitam aa cultura e os hábitos alimentares. Os guardiões da nossa cultura e dos nossos hábitos alimentares são os agricultores familiares. E eles estão sendo excluídos dessa cadeia."
De acordo com o professor, foi reduzido, entre a população brasileira, o consumo de cereais e feijões e aumentado o consumo de amido e leite, por exemplo. Hoje 60% da energia alimentar provem do milho, trigo, arroz e batata. Para Perez, o estímulo à agricultura familiar é a chave para mudar essa situação. Segundo ele, enquanto as empresas globais concentram-se na produção de 12 espécies, os agricultores familiares cultivam cerca de 7 mil espécies.
Porém, o avanço desse modelo de agricultura esbarra na concentração fundiária , segundo o vice-presidente da Contag, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, Wiliam Clementino:
"Nós temos o desafio de poder diminuir, reduzir as desigualdades sociais que nós temos no campo, que é realização da reforma agrária para ampliação da agricultura familiar e o poder de produção de alimentos saudáveis no País. Hoje a agricultura familiar ocupa somente 24% do território agricultável e produz mais de 70% da alimentação consumida no Brasil."
Os debatedores destacaram que as políticas públicas para promoção da agricultura familiar no Brasil avançaram nos últimos anos, mas novas medidas são necessárias. O presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Assis do Couto, do PT do Paraná, disse que o Congresso aprovou nos últimos anos a Lei da Agricultura Familiar (11.326/06) e a lei que institui a Política Nacional de Assistência Técnica para a Agricultura Familiar (Lei 12.188/10). Mas, segundo o parlamentar, falta agora o Poder Executivo regulamentar essas leis e colocá-las em prática.








