20/11/2014 14:00 - Direitos Humanos
Radioagência
Mortalidade de jovens negros é considerada entrave na defesa de direitos dos afrodescendentes
Deputados e representantes da sociedade civil consideraram o aumento da mortalidade entre os jovens negros um dos maiores entraves na defesa de direitos de afrodescendentes. O debate ocorreu em audiência para comemorar o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, realizada pela Comissão de Direitos Humanos, da Câmara.
Durante o debate, Érika Kokay (PT-DF) mencionou a chacina que ocorreu em novembro, no Pará, quando pelo menos nove pessoas foram mortas. A suspeita é de que tenham sido vítimas de vingança pelo assassinato de policial. Para combater a impunidade nos confrontos com a polícia, a deputada defendeu a aprovação do projeto que acaba com a possibilidade dos chamados autos de resistência (PL 4471/12). Os autos de resistência dispensam investigações e permitem que a morte de um suspeito seja justificada pela resistência à prisão.
Erika Kokay (PT-DF) sugeriu que neste ano a data seja um momento de combater o extermínio dos jovens negros:
"Lembrar Zumbir dos Palmares sob a perspectiva da superação do extermínio de jovens, e de jovens negros, mais de 90% dos jovens são as vítimas de homicídios no país e, destes, mais de 70% são negros. Portanto, é o extermínio de uma geração que está em curso."
Jean Wyllys (Psol-RJ) acredita que os avanços não dependem apenas da aprovação de leis, mas sim do trabalho conjunto da sociedade em "construir um novo lugar" para os afrodescendentes:
"As leis são necessárias, mas também são necessárias políticas públicas e é necessário que os diferentes setores da sociedade se engajem nessa situação. É necessário que diferentes instituições se engajem nessa luta de combater a discriminação e o racismo."
A baixa representatividade da bancada negra na Câmara dos Deputados chamou a atenção de Benedita da Silva (PT-RJ). Para a deputada, o problema não se resume aos poucos parlamentares na Câmara, mas se refere também à baixa representação em outras esferas de poder.
"Eu quero falar sobre a importância em ter representação em espaços de poder do país. Não é só no Congresso Nacional, nós precisamos ter representatividade nos espaços de decisão comprometidos com a luta."
Durante a reunião, também foram debatidos a liberdade da prática dos cultos religiosos africanos e a demarcação de terra quilombolas.








