12/08/2014 14:09 - Política
Radioagência
Impasse entre governo e oposição impede trabalhos da CPMI do Metrô
O provável relator das investigações, deputado Renato Simões (PT-SP), reconhece as dificuldades políticas e de quórum neste período que antecede as eleições de outubro. Mas critica a postura da oposição que, segundo ele, tentou inviabilizar a instalação da CPMI na última reunião ao oferecer uma candidatura avulsa para presidente, a do deputado Fernando Francischini (SD-PR).
"Já temos uma declaração da oposição de que disputará a presidência da CPMI. Não podemos é entregar à raposa a chave do galinheiro e ter uma presidência e uma relatoria comprometidas com a impunidade, com a limitação das investigações. Queremos chegar à reunião do dia 02 com as negociações avançadas e fechadas em torno do direito dos partidos majoritários da Câmara e do Senado indicarem presidente e relator. Está valendo na CPMI da Petrobras, na CPI do Senado da Petrobras. Não há por que não valer para a CPMI do Metro de São Paulo também."
Renato Simões destaca que existem quase 40 inquéritos no país e no exterior envolvendo as denúncias de formação de cartel, corrupção de autoridades e ilícitos em contratos de obras e manutenção no metrô de São Paulo nos governos do PSDB nos últimos 20 anos. Segundo o deputado, a CPMI poderá unir e potencializar as diferentes frentes de investigação em curso, possibilitando o desenho de um roteiro para o avanço da apuração e a punição dos envolvidos.
Indicado pelo PSDB para participar da CPMI, o deputado Mendes Thame (SP) diz que o governo paulista, comandado pelo tucano Geraldo Alckmin, não tem nada a esconder. E acrescenta que, na última reunião da comissão, foi a própria base do governo federal que não conseguiu eleger o presidente do colegiado, já que o indicado pelo PMDB para o cargo, senador João Alberto (MA), não poderia estar em Brasília na data.
"Vamos ser realistas, para não fazer nada hipócrita. O governo tem 80% dos membros da CPMI. Ele vai dar rumo. Não adianta perguntar para nós, da oposição, o que vai acontecer. (...) O que tem é que tentar aproveitar as oportunidades que nós temos para investigar. Toda vez que nós fazemos uma investigação séria e isenta, temos resultado positivo, que é aproveitar para melhorar a legislação que proteja o erário e fazer com que realmente o dinheiro público seja utilizado para melhorar a vida das pessoas que mais necessitam das políticas públicas."
Além das irregularidades no metrô de São Paulo, a CPMI do Metrô também deve investigar as denúncias de formação de cartel e corrupção de autoridades em contratos no metrô do Distrito Federal quando da gestão do ex-governador José Roberto Arruda, então do Democratas, hoje no PR.








