03/06/2014 19:21 - Política
Radioagência
Parecer sobre processo contra André Vargas poderá ser votado até final de junho
O deputado Júlio Delgado, do PSB de Minas Gerais, relator do processo por quebra de decoro parlamentar contra o deputado André Vargas, começará a ouvir as testemunhas no dia 17 de junho aguardando assim os 15 dias de prazo para a chegada dos autos da Operação lava Jato do Supremo Tribunal Federal. Ele espera que o processo seja votado até o fim de junho, dentro do prazo de 40 dias que o relator tem.
Na última quinta-feira, Delgado e o presidente do Conselho, deputado Ricardo Izar, do PP de São Paulo, tiveram audiência com o ministro Teori Zavascki, que é o relator do processo da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Eles pediram que o ministro disponibilizasse as partes do processo que dizem respeito aos deputados André Vargas e Luiz Argôlo, do Solidariedade da Bahia, que estão sendo processados por quebra de decoro parlamentar por denúncias de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, personagem central da investigação. O ministro pediu de 10 a 15 dias para poder selecionar o material.
Júlio Delgado vai ouvir o doleiro; o secretário de Ciência e Tecnologia do MInistério da Saúde; Carlos Gadelha, que teria intermediado as negociações com o laboratório Labogen; o presidente do PT, Rui Falcão; assim como o líder do partido na Câmara, deputado Vicentinho; o deputado Cândido Vacarezza, do PT de São Paulo, que teria sido um dos defensores de Vargas; Bernardo Tosto, dono do jatinho usado por Vargas, que teria sido pago por Youssef; e Leonardo Meireles e Esdras Ferreira, donos do Labogen. Vargas é acusado de intermediar um possível contrato do laboratório com o Ministério, que não se concretizou.
O deputado Sibá Machado, integrante do Conselho, alegava que não seria admissível ouvir as testemunhas apenas com base nas reportagens que embasaram a denúncia e propôs que os depimentos só fossem colhidos após a chegada e leitura da documentação. Ele alega que a imprensa tem fustigado seu partido e que o processo poderia inclusive provar que nada aconteceu.
Delgado explicou que seu relatório preliminar também se baseou no depoimento do próprio parlamentar, quando se desculpou no Plenário da Câmara dos Deputados. O relator acredita que o PT está tentando postergar o julgamento com a intenção de conseguir vencer a ação impetrada no Tribunal Superior Eleitoral pedindo de volta o mandato de Vargas e assim impedir as investigações.

"A prática tá muito clara. A gente vê aqui que não existe abandono do PT ao deputado André Vargas não. Só existe a entrada pedindo que ele perca seu mandato talvez isso no interesse de que tire o André Vargas daqui do Congresso na apuração de todo esse processo que envolveu a Labogen, que envolveu o uso da aeronave e o doleiro Youssef."
O presidente do Conselho, Ricardo Izar, também enfatizou que vai respeitar todos os pedidos que visem o exercício da defesa, mas não vai admitir manobras que visem retardar o julgamento.
"O que a gente não pode aceitar é movimentos claros que são para postergar, jogar isso para que a gente ultrapasse o prazo regimental que o conselho tem. Isso eu não vou permitir"
Quanto ao deputado Luiz Argôlo, do Solidariedade, da Bahia, ele está de licença médica, mas veio a Brasília assinar a notificação da representação apresentada pela Mesa Diretora. Nesta terça-feira, o Conselho de Ética aprovou o parecer preliminar do deputado Marcos Rogério, do PDT de Rondônia, que propôs abertura de processo para investigar as denúncias de quebra de decoro parlamentar pelo deputado Luiz Argôlo, do Solidariedade da Bahia.








