07/04/2014 19:05 - Saúde
Radioagência
Relatório elaborado por deputados mostra quadro grave em hospitais brasileiros
No Dia Mundial da Saúde, celebrado neste 7 de abril, o Brasil não tem muito a comemorar em relação ao atendimento nos serviços de urgência e emergência nos hospitais públicos.
Pacientes internados nos corredores, falta de materiais básicos, como luvas e seringas: esse foi o quadro encontrado por integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados nas diligências realizadas nos serviços de emergência de hospitais do Sistema Único de Saúde, o SUS. Eles visitaram hospitais que tinham maior movimento nos serviços de urgência em oito estados das cinco regiões do País.
O relatório do grupo de trabalho formado por integrantes da comissão e do Conselho Federal de Medicina foi apresentado nesta segunda-feira (7), em Brasília. A situação encontrada em todos os hospitais é muito parecida, como destaca o deputado Arnaldo Jordy, do PPS do Pará, um dos responsáveis pelas diligências:
"Eu poderia resumir a realidade da maioria desses hospitais de forma cotidiana: é um acampamento de guerra, com as pessoas sendo depositadas nessas unidades, as famílias absolutamente desesperadas, esperançosas que sejam atendidas com um mínimo de qualidade e a frustração total. No caso do Souza Aguiar, nós vimos, inclusive, baratas dentro das unidades, dentro dos leitos, dentro das dependências físicas daquele hospital, onde, inclusive, alguns familiares fazendo vigília à noite para que esses insetos não incomodassem os pacientes que lá se encontravam."
O Hospital Municipal Souza Aguiar fica na cidade do Rio de Janeiro. Arnaldo Jordy também avaliou a situação do Hospital de Base, em Brasília, como "uma das mais graves":
"Dos hospitais que nós percorremos, em alguns aspectos, é uma das mais graves. Inclusive nós tivemos denúncias, no caso do Hospital de Base de Brasília, de que o indicador de óbito nesse hospital, por alguns pacientes, que não conferia com os dados oficiais. Isso foi uma das situações que nos chamou atenção na visita que fizemos e, inclusive, encaminhamos essas pessoas que denunciaram para o Ministério Público, que estava nos acompanhando, para fazer a investigação devida, se fosse cabível."
Um dos motivos desse caos, segundo o relatório, é o subfinanciamento da saúde. Análise feita pelo Conselho Federal de Medicina aponta que, nos últimos 13 anos, o Ministério da Saúde deixou de aplicar mais de 100 milhões de reais no Sistema Único de Saúde. Além disso, segundo Arnaldo Jordy, em média, apenas 10% do dinheiro que é aprovado para a área de saúde no Orçamento da União é efetivamente gasto.
O coordenador da Câmara Técnica de Urgência e Emergência do Conselho Federal de Medicina, Mauro Ribeiro, citou outro fato que prejudica os atendimentos nos serviços de urgência dos hospitais - a falta de leitos em unidades de terapia intensiva, as UTIs:
"Dentro do caos, talvez o mais grave seja os pacientes que necessitam de unidade de terapia intensiva, pois hoje não tem leitos de terapia intensiva no Brasil em número suficiente para atender a população. Esses pacientes estão ficando nas dependências do pronto-socorro, nas salas vermelhas dos pronto-socorros, entubados, no ventilador, sem ter a assistência de terapia intensiva. Esses pacientes morrem a granel em todos os hospitais do Brasil."
Os resultados do relatório vão ser enviados à presidente Dilma Rousseff, aos presidentes da Câmara e do Senado, e ao Supremo Tribunal Federal, porque, de acordo com o Arnaldo Jordy, algumas medidas sugeridas no relatório vão precisar de intervenção judicial.








