18/03/2014 17:21 - Meio Ambiente
Radioagência
Burocracia e falta de regulamentação são apontados como empecilhos ao reúso da água

Às vésperas do Dia Mundial da Água, 22 de março, um seminário na Câmara debateu medidas alternativas para o uso da água. O evento, promovido pelo EcoCâmara, o Comitê de Gestao Sócio-Ambiental da Câmara, reuniu representantes da Câmara; ANA, Agência Nacional de Águas; e Caesb, Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal; e deixou evidente a dificuldade burocrática e de regulamentação em implementar medidas de reúso da água.
A assessora do EcoCâmara Jacimara Machado citou um exemplo. Segundo ela, prédios funcionais da Câmara recém-reformados já têm toda a infraestrutura necessária para utilização de água da chuva e reúso da chamada água cinza, que é a de chuveiro e louça, mas, a Caesb inviabilizou o habite-se.
O superintendente de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da companhia, Maurício Luduvice, afirmou que pode ter sido verificado algum risco de ligação cruzada, mas há outros órgãos envolvidos na autorização, como a Adasa, a Agência Reguladora de Águas do Distrito Federal, e o Ibram, Instituto Brasília Ambiental, o órgão executor de políticas públicas ambientais de Brasília.
Maurício Ludovice- "Nesse caso, a gente também está a reboque de uma regulamentação que tem que vir via Adasa e também, em relação, se for por exemplo de água cinza, com relação a um licenciamento do Ibram. Provavelmente, na hora de fazer o habite-se, nós vamos ver se está com a licença, se está tudo ok."
Jacimara- "Por que razão esse procendimento é tão demorado? Por que para um prédio público verde demora tanto tempo, um ano, dois anos, e pra um estádio que está... é por causa da Copa?"
O estádio Mané Garrincha teve aprovação apenas para reúso de água pluvial, um procedimento mais simples, segundo informou a assessoria técnica da Caesb durante o evento.
De acordo com a companhia, não há uma norma que atesta como deve ser feito o sistema de reutilização de água cinza, mas o reúso de água pluvial tem norma da ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas.
A reutilização da água cinza, que é a água de chuveiro, pia, louça e banho, não é tão fácil. Para exemplificar, o superintendente da Caesb, Maurício Ludovice, citou o exemplo de uma campanha muito popular no Rio de Janeiro para as pessoas fazerem xixi no chuveiro. Se fosse para reutilizar essa água, ele afirma que seria necessário equipamentos para desinfecção de coliformes e patógenos.
Mas o uso consciente pode vir de outras campanhas e iniciativas individuais, como explica o diretor da Coordenação de Engenharia de Obras da Câmara, Mauro Moura Severino. A Câmara dos Deputados economizou 35% o consumo de água de 2000 a 2013, e é possível economizar mais 35% nos próximos anos jardins e espelhos d'água. Como? Mauro Moura Severino explica.
"Nós precisamos adaptar a irrigação dos jardins e a complementação do nível de água dos espelhos com água de poço artesiano. Então para isso é preciso haver um investimento técnico para que isso seja possível. E também estudarmos a possibilidade de alimentarmos os sistemas de ar condicionado com uma água bruta, de modo que nós possamos economizar essa água potável que está sendo gasta hoje."
Uma das medidas já implementadas na Câmara é a limpeza dos espelhos d'água. Antes eles eram esvaziados para a limpeza. Hoje, o sistema de limpeza é semelhante ao de limpeza de piscinas.
O Dia Mundial da Água é celebrado desde 22 de março de 1993.








