12/03/2014 21:21 - Direito e Justiça
Radioagência
Campanha da Fraternidade divulga alertas contra tráfico de pessoas
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, vai ajudar a divulgar, nas igrejas católicas de todo o Brasil, os casos de tráfico de pessoas que chegaram à comissão da Câmara dos Deputados que investiga esse tipo crime. O objetivo da parceria é alertar os fiéis para o fato de que o tráfico de pessoas realmente existe, e fazer com que as famílias saibam se prevenir, evitando que se tornem vítimas do crime.
O tema da Campanha da Fraternidade deste ano é "Fraternidade e Tráfico Humano". Para firmar o apoio conjunto, integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito do Tráfico de pessoas reuniram-se em Brasília, nesta quarta-feira (12), com o presidente da CNBB, dom Raimundo Damasceno, e o secretário-geral da entidade, dom Leonardo Steiner.
Dom Leonardo explica por que é necessário divulgar os casos de tráfico de pessoas:
"Esses fatos, quando levados às comunidades, podem esclarecer muito. Muitas vezes, as pessoas acham que isso não é real. Quando nós levamos acontecimentos, fatos, testemunhos, ajuda muito. E a CPI tem recolhido muito material, muitos testemunhos."
Há um ano e meio a CPI investiga casos de tráfico de pessoas. O relatório final da comissão deve estar pronto até o final de abril, mas, nesta quarta-feira, os deputados entregaram aos bispos o relatório parcial, que já contém sugestões de mudanças nas leis para evitar e punir os casos de tráfico de pessoa.
O presidente da CPI do Tráfico de Pessoas, deputado Arnaldo Jordy, do PPS do Pará, espera que a CNBB analise o material e apresente sugestões aos deputados. Jordy explica por que a parceria com a Igreja Católica é importante:
"Lamentavelmente, o Brasil é um dos dez países no mundo com maior frequência dessa prática criminosa - um crime que movimenta mais de 30 bilhões de dólares no mundo por ano, vitimando mais de 10 milhões de pessoas também por ano no munto inteiro. Então, não é um problema tão episódico, não é um problema tão distante do que as pessoas imaginam. A importância da CNBB abraçar esse tema é porque a CNBB é uma organização que alcança a sociedade, muitas vezes, onde os poderes constituídos não alcançam."
Arnaldo Jordy destacou que o tráfico de pessoas atinge principalmente as pessoas mais fragilizadas da sociedade, seja do ponto de vista econômico, familiar ou sócio-afetivo. O presidente da CPI e os bispos lembraram que, quando o tráfico de pessoas ocorrem, seres humanos passam a ser tratados como mercadoria: crianças são adotadas ilegalmente; pessoas são raptadas para remoção de órgãos; mulheres são enganadas e obrigadas a prostituir-se; e trabalhadores são explorados em trabalho escravo.








