19/02/2014 20:41 - Esportes
Radioagência
Deputado sugere fundo de formação de atletas para ajudar a pagar dívidas
Formação de atletas divide opiniões na comissão especial do Proforte. O projeto original do Programa de Fortalecimento dos Esportes Olímpicos (PL 6753/13) abre a possibilidade de que 90% das dívidas dos clubes esportivos com a União sejam pagas por meio da concessão de bolsas a atletas e de investimento em infraestrutura.
Nesta quarta-feira, o deputado Afonso Hamm, do PP gaúcho, apresentou mais uma sugestão de fonte de recursos para ajudar a cobrir essas dívidas e, ao mesmo tempo, reestruturar as categorias de base dos clubes. Trata-se da criação de um fundo formador de atletas de todas as modalidades esportivas, com recursos vindos, inicialmente, de 10% da arrecadação de uma futura loteria instantânea, tipo raspadinha.
"Nós estamos buscando um recurso não de governo para sanear a dívida dos clubes. A ideia do Proforte é buscar recursos de novas receitas e, no caso, de novas loterias, a exemplo da raspadinha. O fundo formador deve ter várias fontes."
Segundo Hamm, esse fundo também poderá receber, depois, recursos de outras fontes, como direito de imagem, por exemplo. Outros parlamentares, porém, não admitem a possibilidade de conversão de parte das dívidas dos clubes em bolsas para atletas. O deputado Rodrigo Maia, do DEM fluminense, foi contundente neste sentido, criticando a má administração dos clubes, principalmente os de futebol.
"Eu acho que o Estado brasileiro não tem que colaborar com a formação de atleta de nenhum clube. O Estado tem que formar o atleta na escola e não para ser profissional, mas ter saúde principalmente. Esta é a função do Estado: formar o cidadão para o futuro".
A comissão especial do Proforte ouviu, nesta quarta-feira, dirigentes e treinadores que trabalham na iniciação esportiva de crianças e jovens. Eles relataram um conjunto de problemas que atrapalham a descoberta de novos talentos e atrasam a formação de atletas no país. Entre eles estão o baixo investimento devido ao endividamento dos clubes, as escolas públicas sem o devido espaço e tempo para a prática esportiva dos alunos, o processo de urbanização que tem acabado com os tradicionais "campinhos de rua" e até o Estatuto da Criaça e do Adolescente, que proíbe o trabalho de menores de 14 anos, salvo na condição de aprendiz. Diretor das divisões da base do Vasco, Manuel Pereira também lembrou a falta de retorno financeiro para os clubes que investem no atleta desde criança e, depois, veem os empresários lucrarem com o craque, na fase adulta.
"Nós pegamos um atleta com 6 anos no futsal; levamos para o campo aos 11; e perto de fazer o contrato, aos 16 anos, esse atleta sai do clube e a Justiça não nos dá nenhuma garantia".
Um dos principais clubes formadores de atletas olímpicos do país, o Grêmio Náutico União, de Porto Alegre, defende tratamento diferenciado para essas agremiações em relação às cobranças previdênciárias e tributárias, como afirma o vice-presidente do clube, Paulo Roberto Prado.
"Os clubes de futebol têm um tratamento diferenciado no recolhimento previdênciário, enquanto os clubes associativos de esportes olímpicos têm tratamento de empresa comum, mas não são empresa comum. Basicamente, esse é o nosso pleito".
O secretário nacional de futebol do Ministério do Esporte, Toninho Nascimento, admitiu a "dívida histórica" do Estado brasileiro com o esporte e a educação e lembrou que, enquanto busca-se uma solução definitiva, o governo federal tem tentado minimizar o problema por meio de programas, como o Segundo Tempo, que usa o contraturno escolar para democratizar o acesso ao esporte às crianças e jovens.








