14/02/2014 17:00 - Comunicação
Radioagência
Novo programa vai garantir para a população informações adicionais durante sessões da Câmara
A partir do segundo semestre deste ano, o cidadão participará mais diretamente dos trabalhos do Plenário da Câmara dos Deputados. Já está em testes um programa que permitirá o acesso a diversas informações adicionais àquelas que a população recebe ao assistir as sessões.
Detalhes sobre as matérias em votação, informações sobre os parlamentares que discursam e os canais de comunicação que podem ser usados para entrar em contato com ele ou se manifestar estarão disponíveis. Dentro de alguma tempo, a intenção é que a pessoa também possa se manifestar se aprova ou não o projeto em discussão.

Esse é mais um passo do amplo programa de participação popular implementado pela Câmara. Canais tradicionais como o 0800 619619 hoje funcionam conjuntamente com páginas no Facebook e Twitter, além de videochats que colocam parlamentar e população para discutir abertamente um projeto de lei, têm mostrado que a população quer participar diretamente da vida do Legislativo. A diretora da Coordenação de Participação Popular, Simone Ravazzolli, afirma que essa vontade vem crescendo.
"Essa explosão das mídias sociais e das manifestações que ocorreram nas ruas no ano passado despertou nos cidadãos um senso crítico e está mostrando a importância de participar efetivamente dos processos."
Enquetes
Um dos instrumentos que tem mostrado maior receptividade é a enquete realizada na página da Câmara sobre alguns dos temas mais importantes em tramitação. Quase como eco das manifestações de rua, 230 mil pessoas acessaram o mecanismo para dizer que era contra a aprovação de uma proposta que tirava poderes do Ministério Público para concentrá-lo na polícia, a famosa PEC 37. O recorde dessa manifestação pode ser batido em breve. Uma enquete que discute o conceito de núcleo familiar e faz parte do projeto chamado de Estatuto da Família registrou 150 mil votos em apenas três dias.
Como explica Simone Ravazzoli, nem sempre o parlamentar vai seguir a vontade expressa nesses canais, mas são uma forma de estabelecer um diálogo direto entre representante e representados. Foi o que aconteceu com a proposta de cotas para negros nos concursos públicos, relatado pelo deputado Pastor Feliciano, do PSC de São Paulo, quando foi realizado um videochat.

"Colocamos ele ao vivo na TV Câmara e no portal da Câmara durante uma hora conversando com os cidadãos, para explicar porque o relatório dele era favorável ao projeto das cotas raciais e a população estava pedindo o contrário. Então as pessoas argumentaram com ele, apresentaram sugestões que foram incorporadas ao relatório."
"Foi de extrema importância porque as pessoas participaram, deram sua opinião e isso sensibilizou o relator, sensibilizou os outros deputados."
Por meio dos canais de comunicação, a população também ganhou voz até mesmo nos grandes debates realizados nas comissões gerais, que reúnem parlamentares e especialistas. Numa delas, a que discutiu a violência no trânsito, as opiniões enviadas pela internet e telefone foram lidas para todos os participantes.








