07/02/2014 12:56 - Administração Pública
Radioagência
Apagões mobilizam debates em Plenário na retomada dos trabalhos legislativos
As recentes interrupções no fornecimento de energia, que chegaram a atingir simultaneamente 13 estados e o Distrito Federal na última terça, estiveram entre os principais temas em debate no Plenário da Câmara dos Deputados na semana de reabertura dos trabalhos legislativos. De um lado, a oposição criticou o governo pelo que considera falha no planejamento energético do país. Do outro, deputados da base aliada questionaram os argumentos e reforçaram a solidez do sistema.
O deputado Cláudio Cajado (DEM-BA) defende que a Câmara chame as autoridades do setor a fim de esclarecer se há risco de racionamento e explicar o planejamento para a área, especialmente quanto ao aumento do consumo de eletricidade e à queda na oferta em períodos de forte seca como agora, com reflexos nos reservatórios de usinas hidrelétricas.
"Acho que o governo está pautando suas ações e colocações muito em função do processo eleitoral que vai se iniciar neste ano com as eleições gerais em detrimento da condição de ter o foco no fato real do problema que estamos enfrentando na área energética neste momento. (...) Isso diz respeito não apenas a uma questão séria do ponto de vista econômico para o setor produtivo nacional, mas acima de tudo para os consumidores, que acreditaram no Brasil e aumentaram seu consumo de energia elétrica."
Disputas eleitorais
Mas, para o deputado Fernando Ferro (PT-PE), é a oposição que está aproveitando falhas pontuais para antecipar a disputa eleitoral. Segundo ele, os blecautes precisam ser investigados, mas, no geral, o sistema é eficiente.
"Até porque o Brasil, diferentemente da mentira que está sendo dita pela oposição, investiu em expansão do setor elétrico. Nós, em média, estamos construindo 3 mil quilômetros de linhas de transmissão por ano, quando no governo tucano eram cerca de 1,5 mil quilômetros por ano. Na área de expansão, tem novos empreendimentos para entrar, como Jirau, Santo Antônio e a própria usina de Belo Monte, além da expansão do parque de energia térmica, que, no Brasil, hoje dá condições de, numa situação como esta em que estamos vivendo, de garantir o suprimento de energia."

Segundo o Centro Brasileiro de Infraestrutura, de janeiro de 2011 até 04 de fevereiro deste ano, já foram registradas 181 falhas no fornecimento de energia no país.
Em entrevista ao programa da Rádio Câmara Com a Palavra, o diretor do centro, Adriano Pires, disse que, ao privilegiar leilões nacionais de energia, o modelo atual amplia a dependência de linhas de transmissão mais extensas e, consequentemente, mais sujeitas a falhas e também a problemas jurídicos e de licenciamento.
Adriano Pires sugeriu a adoção de leilões regionais, que considerem as peculiaridades de fontes energéticas de cada região, como a biomassa no Sudeste e Centro-Oeste, a eólica no Nordeste, o carvão no Sul e a hidreletricidade no Norte.
"É um absurdo, para um país que tem essa diversidade energética e dispersão regional, que a gente tenha uma das energias elétricas mais caras do mundo e, além do mais, todo ano a gente fique discutindo no rádio, na televisão e nos jornais se vai ter ou não apagão. Quer dizer, tem alguma coisa errada. E tem que contar para a população que energia é cara e escassa. A gente tem que ter o uso racional deste produto."
Equilíbrio
O Ministério de Minas e Energia, ao longo da semana, procurou reforçar que o Sistema Interligado Nacional está em equilíbrio e operando de acordo com o planejamento.
Hermes Chipp, diretor-geral do Operador Nacional do Sistema, ONS, não descartou que raios podem ter originado o curto no sistema e, em seguida, o blecaute. Em nota, a presidente Dilma Rousseff disse que, se as descargas elétricas foram realmente as responsáveis pela queda no fornecimento de energia, cabe ao ONS apurar se os operadores estão mantendo adequadamente a rede de para-raios. Segundo a presidente, o sistema brasileiro foi montado para ser à prova de raios.
Um relatório conclusivo sobre as falhas deve sair em até 15 dias, segundo o ONS.








