03/12/2013 19:22 - Meio Ambiente
Radioagência
Debatedores apoiam combate ao uso de sacolas plásticas sem controle
Você já deve ter se deparado com uma sacolinha daquelas de supermercado jogada na rua. Não demora, ela pode cair em um bueiro e parar em um rio ou no mar.
Como a cena não é rara nas cidades brasileiras, a educação da população no combate ao uso indiscriminado das sacolas plásticas foi consenso entre os participantes da audiência desta terça-feira da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados.
A comissão analisa várias propostas (PL 612/07 e outros) que sugerem medidas para evitar a poluição causada pelas sacolinhas, como a utilização de material oxibiodegradável, cobrança pelas sacolas e incentivos aos consumidores que optarem por carrinhos de feira ou sacolas retornáveis.
Segundo a representante do Ministério do Meio Ambiente Mariana Meirelles, a solução para o consumo consciente passa por vários caminhos. Além da educação ambiental, incluindo aí a coleta seletiva, ela destaca a adoção de uma legislação adequada e um desestímulo financeiro pelo uso das sacolinhas.
"Que pode ser pelo desconto para aquele que não pega a sacolinha. Então, ele tem um desconto nas suas compras ou a cobrança para aquele que usa também. São medidas interessantes que a gente acha que o varejo coloque."
Representantes da indústria, do varejo e dos fabricantes das sacolas plásticas também defenderam o combate ao uso indiscriminado da embalagem e a adoção de uma legislação nacional, como forma de evitar insegurança jurídica.
Por outro lado, eles não querem uma legislação muito detalhada em termos técnicos porque, conforme argumentam, a tecnologia avança rapidamente e a lei ficaria defasada.
Camila Valverde, da Associação Brasileira de Supermercados, explica o ponto de vista o setor.
"Impor uma determinada tecnologia ou a especificidade representa um retrocesso enorme no processo de conscientização do consumidor e prejudica as metas estipuladas pelo próprio governo de redução do consumo de sacolas. O varejo não pode ser obrigado a distribuir um produto gratuitamente. Nossa sugestão e recomendação seria a criação de um instrumento legal que fosse efetivo na redução da distribuição indiscriminada das sacolas plásticas."
Por outro lado, alguns deles discordam do uso de material biodegradável ou sacolas reutilizáveis. Alfredo Schmitt, diretor a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis, disse que o setor defende a reciclagem e o consumo consciente, mas, segundo afirma, produtos biodegradáveis têm apenas um único fabricante no mundo, na Alemanha, o que torna o produto caro e inviável. Ele enfatizou ainda que muitas das sacolas reutilizáveis são fabricadas na China e no Vietnã, com suspeita de trabalho escravo. Schmitt destacou ainda que o brasileiro rejeita qualquer solução que pese no orçamento familiar.
"A sociedade, como um todo, ela rejeita qualquer coisa que represente ônus para o próprio bolso. O mais interessante ainda, não querendo importar ideias de fora, como viajo muito ao exterior, vejo muito nos Estados Unidos grandes redes de supermercados entregando de graça, na Inglaterra, na Alemanha. A pessoa vai lá e retira à vontade quantas quiser."
Segundo o deputado Dr. Paulo César (PR/RJ), um dos autores para a audiência desta terça, as sacolas plásticas serão discutidas em novos encontros. Ele observou que as sugestões são importantes para a comissão concluir os relatórios dos projetos em análise e adiantou que medidas radicais como a total proibição das sacolas plásticas devem ser descartadas.








