07/05/2013 17:00 - Direitos Humanos
Radioagência
Especialistas discutem a acessibilidade e as barreiras nas atividades de lazer
Pessoas com deficiência incluem o turismo entre suas prioridades, mas enfrentam barreiras nas atividades de lazer. Esse foi o quadro traçado por especialistas que discutiram a acessibilidade e o direito humano ao lazer, em audiência da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, nesta terça-feira. O secretário nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Antônio Ferreira, admite que só recentemente o turismo entrou na lista de prioridades dos cerca de 45 milhões de brasileiros que convivem com algum tipo de deficiência.
"O resultado das políticas públicas empreendidas no Brasil tem possibilitado que esse público, que infelizmente ainda está situado dentro das camadas mais pobres da nossa sociedade, comece a ter outras prioridades. As nossas prioridades hoje não são só o emprego e só a saúde, mas também a possibilidade de lazer e turismo".
Mas como o turismo envolve um conjunto de produtos e serviços, essa intenção dos deficientes esbarra em problemas de acessibilidade nos hotéis, restaurantes, rodoviárias, aeroportos e nos próprios pontos turísticos. Enquanto o cume de Machu Picchu, no Peru, já é acessível a um tetraplégico, o Brasil reúne apenas casos isolados de pontos turísticos adaptados. Consultor em acessibilidade e turismo, Ricardo Shimosakai citou o exemplo da cidade de Bonito, no Mato Grosso do Sul.
"Bonito é uma área natural, então, como fazer acessibilidade lá? Colocar rampas e elevadores no meio da natureza não é uma coisa viável. O trabalho é feito por meio da capacitação dos guias. São os guias que vão colocar a pessoa nos botes, fazer a flutuação e outras coisas".
O Ministério do Turismo já detectou o pontencial, inclusive econômico, desse segmento. O Programa Turismo Acessível quer aproveitar os grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, para promover destinos turísticos específicos para pessoas com deficiência. Só em infraestrutura, devem ser investidos R$ 84 milhões.
O coordenador geral de segmentação do Ministério, Wilken Oliveira, anunciou duas grandes campanhas promocionais, a partir de agosto, com foco na capacitação de guias e sensibilização de dois atores especiais.
"Uma para o turista, para que ele possa cobrar e ter ciência de seus direitos, e outra focada nos meios de hospedagem nas cidades-sede, onde vamos divulgar as linhas de crédito existentes dentro do Ministério do Turismo, em parceria com o Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES, para que eles possam executar isso de uma maneira menos onerosa".
Atualmente, apenas 1,5% dos quartos de hotéis são acessíveis nas 12 cidades-sede da Copa. A meta é elevar esse índice para 5%, até 2014. A deputada Rosinha da Adefal, do PT do B alagoano, defendeu a aprovação de sua PEC (53/11) que inclui o direito à acessibilidade entre os direitos e garantias fundamentais expressamente previstos na Constituição.








