15/02/2013 13:01 - Direitos Humanos
Radioagência
Crianças: deputada teme exploração durante megaeventos esportivos
De olho na proximidade da Copa e das Olimpíadas, parlamentares e organizações de proteção dos direitos de crianças e adolescentes alertam para a possibilidade de os megaeventos favorecerem a exploração de meninos e meninas. Nos sinais, vendendo balas; nos aeroportos, engraxando sapatos; nas obras, carregando peso; nas ruas, entregando marmitas ou sendo aliciados pelo turismo sexual; nos ateliês, costurando uniformes.
Para a presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara que apura denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes, deputada Érika Kokay, do PT do Distrito Federal, o trabalho infantil não pode ser naturalizado, especialmente em suas formas mais degradantes, como a exploração sexual comercial.
"Nós vamos solicitar uma agenda com o presidente da CBF para discutir não apenas a questão do fluxo de turistas que vai atingir durante os grandes eventos, mas também discutir as várias denúncias que estamos tendo de exploração e de abuso sexual nas escolinhas de futebol, inclusive algumas de grandes times. Também discutir com a Fifa a necessidade que tenhamos mecanismos para proteger nossas crianças e adolescentes durante os grandes eventos, que colocam nossas crianças e adolescentes mais expostos ao processo de exploração de turismo sexual."
A Fundação Abrinq acaba de lançar uma cartilha para chamar a atenção de empresários, governos e a sociedade em geral para a prevenção de diferentes formas de exploração de crianças e adolescentes em atividades ligadas à realização dos mundiais no Brasil.
Denise Cesario, gerente de Desenvolvimento de Programas e Projetos da fundação, destaca que hoje o país tem 3,7 milhões de crianças e adolescentes, na faixa entre 5 e 17 anos, trabalhando; muitas vezes, sem remuneração.
"Com a realização desses eventos, podemos ter o aumento desses indicadores e, por isso, estamos chamando atenção. Primeiro, do que esse trabalho infantil compromete a educação e o futuro dessa criança e desse adolescente. Vamos fazendo as correlações. Em relação à renda da família, como isso pode ser transformado através da participação dessas famílias de distribuição de renda. Consequentemente, essa criança e esses adolescentes estão inseridos na escola, a família passa a contar com a geração de renda. Vamos tratando das formas para que empresa olhe para sua cadeia produtiva, olhe para seu entorno e contribua para prevenção e eliminação dessas piores formas do trabalho infantil."
No Brasil, qualquer trabalho exercido por menores de 16 anos é proibido por lei, exceto na condição de aprendiz. A exploração de crianças e adolescentes pode ser denunciada ao conselho tutelar do município ou ao Ministério Público do Trabalho. Outra opção é o serviço Disque 100, mantido pela Secretaria Especial de Direitos Humanos. A ligação é gratuita.








