09/10/2012 21:26 - Política
Radioagência
Marco Maia nega tese sobre compra de votos na Câmara
No dia em que a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal votou pela condenação de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil no governo Lula; José Genoíno, ex-presidente do PT, e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares por corrupção ativa, no julgamento conhecido como mensalão, o presidente da Câmara voltou a afirmar que a tese sobre a compra de votos na Casa não é verdadeira. Segundo Marco Maia, deputados do PT não precisariam receber vantagem financeira para votar a favor de matérias do interesse do governo.
"Há uma certa, na minha avaliação, 'forçação' de barra numa tese, numa teoria, que nas palavras do próprio ministro revisor foram completamente desmontadas. Não há nenhuma condição ou nenhuma veracidade nessa afirmação. Eu volto a dizer, o julgamento não se concluiu ainda, e a expectativa de todos nós e da sociedade brasileira é que o tribunal faça um julgamento que não seja político, que não seja de exceção, mas que seja um julgamento baseado em fatos, em provas, em documentos, que os autos do processo sejam respeitados e que a técnica seja de fato utilizada para produzir as sentenças que serão produzidas no final do julgamento."
Sobre José Dirceu, Marco Maia disse que até agora não apareceu qualquer prova concreta da participação ativa do ex-ministro no processo de construção de acordos políticos relacionados ao eventual esquema do mensalão. Segundo ele, todas as declarações dadas durante o processo também apontam nessa direção.
"Agora, os ministros do Supremo são senhores de si e têm todas as condições de julgar olhando para aquilo que foi produzido durante o processo. Me chamou muito a atenção tanto as afirmações feitas pelo relator quanto pelo revisor. Todos os dois são categóricos e muito firmes nas suas convicções em relação ao debate acerca do chamado núcleo político do mensalão. Agora, nós só temos que esperar que os nossos ministros sejam iluminados e façam o julgamento mais próximo possível da realidade e daquilo que espera o mundo jurídico, do que esperam todos aqueles que acompanham o processo."
Marco Maia afirmou que o julgamento do mensalão já foi assimilado pelo PT e que o tema não foi fundamental nas eleições municipais do último domingo, porque o partido ampliou o número de prefeituras e de votos, e ainda disputará o segundo turno em importantes cidades do país. De acordo com o presidente, o PT perdeu em municípios onde foi incapaz de fazer uma política de alianças mais ampla, a exemplo das que elegeram os presidentes Lula e Dilma Rousseff.
Maia avaliou ainda que o saldo das eleições municipais foi o do equilíbrio, uma vez que nenhum partido cresceu ou caiu assustadoramente. Para ele, é natural que legendas mais tradicionais, como PT e PMDB, percam prefeituras e que partidos mais novos, como PSB e PSD, ganhem espaço. Do ponto de vista governo e oposição, de acordo com Marco Maia, houve uma vitória dos partidos que dão sustentação ao governo da presidente Dilma Rousseff. O presidente da Câmara destacou o fortalecimento da democracia brasileira após as eleições municipais. Na opinião do deputado, o Brasil não suporta mais qualquer regime ditatorial, seja de esquerda ou de direita.








