04/10/2012 20:51 - Política
Radioagência
Caso mensalão: Rosa Weber e Fux seguem relator e condenam Dirceu e Genoíno
Pode terminar só na quarta-feira a votação do capítulo da corrupção ativa do processo chamado de mensalão. Até esta quinta-feira, votaram quatro dos dez ministros do Supremo Tribunal. Apesar de já terem votado o relator e o revisor, que têm os votos mais longos, na próxima sessão, na terça-feira, não estará presente o ministro Celso de Mello. O presidente, ministro Ayres Britto, só vota após todos os outros. Nesta semana, dois ministros, Rosa Weber e Luiz Fux seguiram integralmente o ministro relator, Joaquim Barbosa, que condenou oito dos dez réus. Apenas o revisor, ministro Ricardo Lewandowski, absolveu os ex-deputados petistas José Dirceu e José Genoíno e o advogado de Marcos Valério, Rogério Tolentino.
Lewandowski, que já havia absolvido José Genoíno na quarta-feira, afirmou que não há provas do envolvimento de José Dirceu. Ele afirmou que a denúncia deduz a participação do ex-ministro-chefe da Casa Civil a partir de ilações e conjecturas.
"Eu não afasto, senhor presidente, a possibilidade de que José Dirceu tenha de fato participado desses eventos. Não descarto sequer que ele tenha sido o mentor desses eventos, mas o fato é, senhor presidente, que isso não encontra ressonância nas provas dos autos"
O ministro afirmou que há muitas provas que demonstram que Dirceu se afastou do Partido dos Trabalhadores quando assumiu o ministério e de que ele não tinha relações próximas com Marcos Valério. Para Lewandowski, apenas o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares foi o responsável pela articulação do esquema.
Apesar de o próprio Delúbio ter dito em depoimento que era o único responsável pelo esquema, essa tese não convenceu os outros ministros, como Rosa Weber, que chama a atenção para o papel de articulação política não só do ministério de Dirceu como da posição de Genoíno como presidente do PT.
"Não é possível acreditar que Delúbio, sozinho, teria comprometido o Partido dos Trabalhadores com dívidas da ordem de 55 milhões e repassado a metade disso aos partidos da base aliada. Não só teria agido sozinho, mas também sem o conhecimento de mais qualquer pessoa do Partido dos Trabalhadores, mesmo estando todos envolvidos na formação da aliança política"
Até agora, Delúbio Soares, Marcos Valério e seus sócios Cristiano Paz e Ramon Hollerbach e sua funcionária Simone Vasconcellos têm quatro votos pela condenação. José Dirceu, José Genoíno e o advogado de Valério, Rogério Tolentino, têm três votos pela condenação. Foram absolvidos até agora o ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto e a ex-funcionária de Valério Geiza Dias.








