03/10/2012 22:07 - Política
Radioagência
Relator condena por corrupção ativa Dirceu, Genoíno e demais integrantes do núcleo ligado ao PT
Relator e revisor do processo chamado de mensalão discordaram sobre a condenação de alguns dos principais personagens do caso. O relator, ministro Joaquim Barbosa, condenou por corrupção ativa todos os integrantes do núcleo político ligado ao Partido dos Trabalhadores, entre eles o ex-deputado José Genoíno, que, no entanto, foi absolvido pelo revisor, ministro Ricardo Lewandowski.
Para Barbosa, José Dirceu era o comandante de todo o esquema de compra de apoio político no Congresso para o governo Lula. De acordo com o relator, havia uma organização formada pelos deputados e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o publicitário Marcos Valério, seus sócios e funcionários para comprar o apoio de parlamentares do PP, PL, hoje PR, PTB e PMDB. Dirceu teria mantido relações com os responsáveis pelos bancos Rural e BMG para usá-los como canal para a lavagem do dinheiro desviado e pagamentos.
"O acervo probatório desses autos forma um grande mosaico no qual o acusado José Dirceu é revelado como o negociador da obtenção de recursos utilizados no esquema de compra de apoio político que dependia também da sua atuação na Casa Civil para composição da base aliada."
O advogado de Dirceu, José Luís Oliveira Lima, afirmou que não há provas contra o ex-chefe da Casa Civil.
"As provas da Ação Penal 470 demonstraram, no nosso entender, a total improcedência das acusações levantadas pelo Ministério Público."
Para o ministro Joaquim Barbosa, o ex-deputado José Genoíno estaria no terceiro nível dessa organização, sendo responsável por negociar a propina que seria dada a parlamentares em troca de apoio político ao governo. Ele também foi o avalista de dois empréstimos considerados fraudulentos pelo STF. Mas para o revisor Lewandowski, não há no processo qualquer prova de que Genoíno tenha atuado como corruptor.
De acordo com Lewandowski, o ex-deputado e ex-presidente do PT tinha como função se reunir com representantes de outras legendas como parte de sua atividade. Ele também destacou o argumento da defesa de que Genoíno assinou os empréstimos porque isso fazia parte de sua função, mas que não tinha nenhuma relação com o esquema. Assim como a defesa do ex-deputado, o revisor afirmou que a denúncia se baseia unicamente no depoimento do ex-deputado Roberto Jefferson e não apresenta provas.
"O Ministério Público não conseguiu, nem de longe, apontar de forma concreta os ilícitos que teriam sido praticados por Genoíno. Parece-me óbivio não haver nenhuma prova de que o réu tenha praticado qualquer uma das condutas criminosas que o parquet procurou impingir-lhe."
Mas o relator e o revisor concordaram na condenação de Marcos Valério, seus sócios Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, a diretora financeira Simone Vasconcellos e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Foram absolvidos por ambos, Geisa Dias e o ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto. Lewandowski também absolveu o advogado de Valério, Rogério Tolentino, condenado pelo relator.








