08/07/2026 17:08 - Transportes
Radioagência
Comissão aprova proposta que muda cálculo do IPVA para considerar peso do veículo
COMISSÃO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS APROVOU UMA PROPOSTA QUE MUDA CÁLCULO DO IPVA PARA CONSIDERAR PESO DO VEÍCULO. A REPÓRTER PAULA BITTAR EXPLICA QUAL A DIFERENÇA PARA O SISTEMA ATUAL.
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou (8/7) uma proposta (PEC 3/26) que altera a base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores, o IPVA, para considerar apenas o peso do veículo, e não mais o valor de mercado.
O texto também estabelece um teto para a cobrança do imposto: o valor total não poderá exceder 1% do valor de venda do automóvel. Além disso, a proposta autoriza os estados a criarem descontos para veículos menos poluentes.
Atualmente, o IPVA é cobrado pelos estados com base no valor de mercado do veículo, calculado pela tabela Fipe, com alíquotas que variam entre 1% e 4%.
O relator na CCJ, deputado Rodrigo de Castro (União-MG), apresentou parecer favorável à proposta, mas com uma mudança que retirou do texto item que estabelecia um limite na despesa total anual do Congresso Nacional, das assembleias legislativas e da Câmara Legislativa do Distrito Federal, assim como dos tribunais de contas.
Segundo Castro, esse item estabelecia parâmetros financeiros “incompatíveis com a manutenção da autonomia administrativa e financeira dos entes federados”.
Mas o texto mantém um limite para gastos com propaganda institucional de todos os poderes e do Ministério Público de 0,1% da Receita Corrente Líquida. Fica proibida a publicidade de caráter promocional ou pessoal.
Com relação à mudança na arrecadação dos entes a partir de novas regras para o IPVA, o relator disse que a comissão que ainda vai analisar a proposta deverá se debruçar sobre o tema, para avaliar os efeitos fiscais, federativos e orçamentários, inclusive quanto à eventual redução de receitas, à repercussão sobre a autonomia financeira dos estados e à necessidade de regras de transição capazes de preservar a continuidade dos serviços públicos.
Logo no início da reunião da CCJ, o presidente da comissão, deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA) disse que o debate é sobre a modernização do sistema tributário brasileiro.
“É legítimo reconhecer que para milhões de brasileiros o veículo deixou de ser um bem de luxo há muito tempo. Para inúmeras famílias, representa instrumento de trabalho, fonte de renda, meio de transporte indispensável e condição para o exercício de atividades econômicas. Em um cenário de elevada carga tributária, é natural que o parlamento seja chamado a discutir se determinados modelos de tributação continuam atendendo aos princípios da razoabilidade, da justiça fiscal e da capacidade contributiva.”
Já o deputado Helder Salomão (PT-ES) disse que a comissão especial deverá encontrar uma solução para a redução na arrecadação. Ele também acredita que a mudança poderá gerar uma distorção.
“O cara que tem um caminhão velho, pesado, vai pagar um imposto maior do que o cara que tem uma Ferrari construída com fibra de carbono, levíssima. Nós não podemos promover aqui uma distorção e privilegiar os ricaços, aqueles que vão poder comprar uma Ferrari, uma BMW.”
O autor da proposta, deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), por outro lado, afirmou que não falta de onde cortar para garantir a redução na carga tributária.
“Nós temos, para apresentar na comissão especial, mais de R$ 200 bilhões em diferentes compensações que podem ser colocadas. Privilégio para cortar, seja tributário, seja de supersalário, seja de desonerações setoriais, não falta no nosso país.”
A proposta que altera a base de cálculo do IPVA para considerar apenas o peso do veículo, e não mais o valor de mercado, ainda precisa ser analisada por uma comissão especial que deverá ser criada para esse fim, e depois segue para apreciação do Plenário, onde precisará ser votada em dois turnos.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Paula Bittar.








