02/07/2026 15:15 - Agropecuária
Radioagência
Representantes da cadeia do tabaco defendem proteção ao setor
REPRESENTANTES DA CADEIA DE PRODUÇÃO DO TABACO DEFENDERAM NA CÂMARA UMA PROTEÇÃO PARA O SETOR. A REPÓRTER MARIA NEVES NOS CONTA QUAIS AS PROPOSTAS.
Representantes da cadeia produtiva do tabaco reclamaram, em audiência pública na Câmara dos Deputados, que o sistema integrado de produção do setor está ameaçado no Brasil. De acordo com o deputado Heitor Schuch (PSD-RS), que pediu a realização do debate, o aumento do número de produtores independentes e a carga tributária representam as principais ameaças à produção integrada de fumo no Brasil.
Heitor Schuch afirma que o sistema integrado foi construído há mais de 100 anos e engloba desde os produtores do fumo até a fabricação dos produtos derivados, como o cigarro. O deputado argumenta que essa organização é importante para garantir aspectos como equilíbrio entre produção e demanda, assistência técnica e controle da qualidade dos insumos. Com o crescimento dos produtores independentes acredita que essa estrutura esteja ameaçada.
“Nós temos diversas safras dentro de um ano, uma vez era a safra do fumo, agora é a safra de verão, a safra de inverno, a safra de primavera, está plantando e colhendo o ano inteiro, talvez isso para a indústria seja muito bom, mas para o segmento que está lá no campo eu não vejo ganhar com isso. E, ao mesmo tempo, a gente percebe que cada vez tem mais produtores independentes, plantando por conta, não sei se os insumos que eles usam são os corretos, e essas coisas acabam influenciando o nosso setor.”
Segundo o vice-presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil, Romeu Schneider, na última safra houve um “crescimento exagerado” de produtores fora do sistema integrado, que já passam de 20% do total.
Com o aumento da produção, Heitor Schuch afirma que houve queda no preço do tabaco. O deputado sustentou que, enquanto em janeiro a arroba do produto custava 340 reais, hoje está sendo vendida por 260 reais.
O presidente da Associação dos Municípios Produtores de Tabaco, Gilson Becker, reclamou do aumento da tributação para compensar a redução do preço do combustível de aviação. Ele afirma que, com essa mudança, o preço da carteira de cigarro mais barata vai passar de 6 reais e 50 para 11 reais. Com isso, ele sustenta que principalmente os consumidores de baixa renda vão comprar produtos contrabandeados, que são mais baratos.
Para o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Tabaco e Afins, Rangel Marcon, antes de tomar decisões relativas ao tabaco o governo precisa dialogar com o setor. Ele também acredita que o aumento de tributação vai resultar em crescimento mercado ilegal de cigarros.
“O que mais preocupa os trabalhadores? Foi a questão das mudanças regulatórias, do dia para noite saiu um decreto dizendo: ‘vai aumentar o imposto do cigarro’. Aumentando imposto do cigarro, aumenta a questão do mercado ilegal, que não emprega trabalhadores da indústria, que não gera riquezas para o país. Então, a gente está pedindo que aqui, diálogo, vez e voz.”
Segundo o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco, Valmor Thesing, no ano passado o governo federal arrecadou 24 bilhões de reais com impostos do tabaco. A renda dos produtores do setor, de acordo com ele, foi de 14 bilhões no ano.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Maria Neves








