07/05/2026 13:18 - Educação
Radioagência
Seminário debate desafios da implementação da Lei da Libras
SEMINÁRIO REALIZADO NA CÂMARA DISCUTIU A IMPLEMENTAÇÃO DA LEI DA LIBRAS PARA GARANTIR DIREITOS DA COMUNIDADE SURDA. SAIBA MAIS SOBRE O ASSUNTO NA REPORTAGEM DE SOFIA PESSANHA.
A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência realizou um Seminário para debater os avanços e desafios na implementação da Lei da Libras (Lei n°10.436/2002). Parlamentares e representantes da comunidade surda defenderam que é necessário garantir os direitos de todos os integrantes da comunidade surda.
O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que solicitou a audiência, destacou quais seriam estes direitos.
“Mas o fato é que nós precisamos garantir uma formação adequada e a contratação desses profissionais especializados, tradutores e intérpretes de Libras, para que a legislação possa ser cumprida integralmente.”
O Seminário procurou dar protagonismo à comunidade surda, avaliar a aplicação da legislação, discutir propostas em análise na Câmara e promover articulação entre instituições e especialistas. Shirley Vilhalva, escritora e professora indígena surda pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, trouxe à tona o conflito da ausência de oportunidade para a Língua Indígena de Sinais em comparação a Língua Brasileira de Sinais. A fala foi traduzida pela intérprete Akila dos Santos Vaz.
“E eu espero também que sejam abertos esses caminhos para a área da saúde, na área do trabalho, para que nós, indígenas, que usamos a língua indígena de sinais, tenhamos garantido os nossos direitos de participação.”
Em 2002, o Brasil instituiu o dia 24 de abril como o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais, reconhecendo a Libras como meio legal de comunicação e expressão da comunidade surda brasileira. Apesar desse reconhecimento, os participantes disseram que a desigualdade regional, a falta de intérpretes e a fragilidade da educação bilíngue são alguns dos desafios encontrados no avanço da legislação.
Porém, o Chefe do Departamento de Libras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Rodrigo Marques, explicou que a implementação de políticas integradas com coordenação nacional, metas e financiamento, valorização de profissionais e investimentos em Libras são alguns caminhos possíveis para efetivação dessas conquistas.
Simone Rocha, que é filha de pais surdos (representante da “Children of Deaf Adults - CODA”), recitou uma poesia em homenagem aos seus pais, além de declarar como o cuidado deles na sua criação foi importante, apesar dos obstáculos proporcionados pela deficiência. A fala dela também foi traduzida pela intérprete Akila dos Santos Vaz.
“E ela cuidava de mim, me embalava em seu colo e sempre estava falando comigo usando os sinais, usando as suas mãos, usando o seu corpo, usando os movimentos e tudo isso era como uma nota musical para o meu desenvolvimento. Eu não precisava de ninguém cantando música para mim. E até hoje, depois de grande, o que eu tenho? Para mim, esse sentimento é de que a minha mãe cuidou de mim com tudo que ela tinha.”
Entre as ações propostas durante o debate estão a ampliação das escolas bilíngues e a garantia da profissionalização de intérpretes.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Sofia Pessanha.








