26/02/2026 19:52 - Saúde
Radioagência
Comissão debate diagnóstico tardio de transtorno do espectro autista
COMISSÃO DEBATE DIAGNÓSTICO TARDIO DE TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA. A REPÓRTER MÔNICA THATY ACOMPANHOU.
A Comissão Especial do Plano Nacional de Políticas para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista realizou audiência para debater o diagnóstico tardio do TEA (PL 3080/20).
Arthur de Almeida Medeiros, Coordenador-Geral de Saúde da Pessoa com Deficiência, informou que o Ministério da Saúde criou uma linha de cuidado para organizar o fluxo de assistência do SUS.
Arthur Medeiros explica que o documento é essencial para fazer o diagnóstico do TEA na atenção primária à saúde, já que a não detecção dos sinais do transtorno gera dificuldades de saúde, sociais e mentais que permeiam toda a vida da pessoa não diagnosticada.
“A linha de cuidado, ela traz exatamente isso, a necessidade de que nós avancemos para o fortalecimento da atenção primária, para qualificação das equipes multiprofissionais, das equipes da estratégia de saúde da família, para que todos estejam aptos, qualificados, e sensibilizados para esse processo de rastreio, de diagnóstico, de acompanhamento, de cuidado. Uma equipe preparada, uma equipe qualificada, a gente avança no sentido de termos o diagnóstico em tempo oportuno, consequentemente, acesso aos procedimentos de cuidado, de reabilitação, em tempo oportuno e de maneira que atenda as necessidades dessa pessoa.”
Guilherme de Almeida, presidente da Associação Nacional para Inclusão de Pessoas Autistas, no entanto, considera que é necessário aumentar o número de diagnósticos. Segundo ele, o tempo de espera para uma consulta com especialistas no SUS chega a quatro anos.
Guilherme de Almeida cobra mais investimentos no tratamento precoce de crianças para evitar os danos que a falta de conhecimento sobre o TEA pode causar.
“Tem reflexos como bullying, isolamento, hiperfoco ignorado quando poderia ser visto como uma potencialidade e ninguém percebe a questão do autismo ou da neurodiversidade como um todo. Tem marcas mais presentes de ansiedade, depressão, crises sensoriais, diagnósticos errados. E na vida adulta, a dificuldade em emprego, de burnout, relacionamentos frágeis e o que é lido pelas próprias pessoas autistas sem o diagnóstico como falha de caráter e até mesmo por pessoas próximas. Aqui eu trouxe uma fala de uma pessoa, uma mulher autista diagnosticada aos 30 anos, que ela diz assim: "O diagnóstico tardio é libertador. Agora sei que não sou louca, não sou depressiva, não sou burra.”
A deputada Maria Rosas (Republicanos-SP), que presidiu a sessão, destacou a necessidade de ter dados sobre diagnóstico tardio. Ela lembra que, apesar dos dados oficiais apontarem que existem cerca de dois milhões e quatrocentas mil pessoas com transtorno autista no Brasil, acredita-se que os números reais são bem maiores.
“É, porque é importante você ter os dados, né, de quantas pessoas são diagnosticadas ou que precisam desse diagnóstico para que a gente consiga fazer políticas públicas para elas. Sem dados, a gente não consegue eh mensurar quantas pessoas e quantas pessoas estão estão sendo atendidas e quantas precisam ser atendidas. Isso é um um pedido da população, pedido das pessoas.
Maria Rosas sugere que o SUS consiga fazer um levantamento do número de atendimentos para que as políticas públicas elaboradas pelos deputados sejam mais eficientes.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Mônica Thaty.








