25/02/2026 13:07 - Saúde
Radioagência
Deputados e especialistas cobram agilidade na aplicação da política nacional contra o câncer
DEPUTADOS E ESPECIALISTAS COBRAM AGILIDADE NA APLICAÇÃO DA POLÍTICA NACIONAL DE PREVENÇÃO E CONTROLE DO CÂNCER. OS DETALHES COM O REPÓRTER LUIZ CLÁUDIO CANUTO.
Deputados e especialistas cobraram agilidade na aplicação da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer. A política foi criada por lei (Lei 14.758/23), em 2023, e regulamentada pelo Ministério da Saúde em 2025.
O tema foi debatido na Câmara dos Deputados, na Comissão Especial de Combate ao Câncer, AVC e Doenças do Coração (24/2).
A presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, Marlene Oliveira, criticou o uso de métodos de diagnóstico sem comprovação científica, como a termografia. Ela citou casos em que o exame não indica a doença mesmo quando há alta suspeita de câncer de mama, como lesões classificadas como bi-rads 5.
“Isso tem me assustado muito. Porque tem lugares no Brasil que estão utilizando.”
Marlene Oliveira também defendeu a vacinação contra o Papilomavírus Humano, o HPV, que previne o câncer de colo do útero.
A presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Clarissa Baldotto, destacou a importância de informar a população sobre prevenção. Ela chamou atenção para o câncer colorretal e disse que o rastreamento, feito por colonoscopia, precisa avançar. Clarissa citou dados do Instituto Nacional de Câncer sobre aumento de casos em adultos jovens.
A coordenadora-geral de Estratégias Inovadoras e Colaborativas de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde, Natáli Minóia, reconheceu a falta de equipamentos para colonoscopia no país.
“Nós estamos cientes do déficit de equipamentos de colonoscopia no país para que a gente possa também dar seguimento à implementação dessa linha de cuidado e diagnósticos em tempo oportuno.”
Ela também destacou o rastreamento do câncer do colo do útero com testes moleculares para detectar HPV. E citou ações como ampliação do acesso à radioterapia e uso de carretas de saúde para diagnóstico móvel.
A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, Viviane Rezende de Oliveira, disse que os avanços dependem de recursos e lembrou o debate sobre financiamento do Sistema Único de Saúde.
O autor do pedido para a realização do debate, deputado Weliton Prado (Solidariedade-MG), alertou para a distância entre a lei e a realidade. Ele disse que o câncer de mama mata cerca de 50 mulheres por dia no Brasil e voltou a defender ações de prevenção, como alimentação adequada.
“Estima-se que, a cada 1 dólar investido em nutrição especializada, economizam-se 50. Estima-se que mais de 20% dos pacientes não morrem de câncer, depois de passar por processo difícil de cirurgia, de quimioterapia, de radioterapia, com remissão, com a cura, muitos pacientes vêm a óbito por falta de nutrição especializada.”
O deputado anunciou ainda que será marcada uma audiência sobre a falta de profissionais no Instituto Nacional de Câncer e a discussão de um fundo nacional para priorizar o tratamento do câncer no orçamento federal.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Luiz Cláudio Canuto.








