09/02/2026 22:07 -
Radioagência
Câmara aprova medida provisória que cria uma agência reguladora para fiscalizar uso de dados pessoais pelas plataformas de internet
CÂMARA APROVA MEDIDA PROVISÓRIA QUE CRIA AGÊNCIA REGULADORA PARA FISCALIZAR USO DE DADOS PESSOAS PELAS PLATAFORMAS DE INTERNET. QUEM EXPLICA O TEOR DA PROPOSIÇÃO É O REPÓRTER ANTONIO VITAL.
A Câmara dos Deputados aprovou medida provisória (MP 1317/25) que cria a Agência Nacional de Proteção de Dados, com autonomia funcional, técnica, decisória, administrativa e financeira para fiscalizar o cumprimento da legislação relativa ao tratamento de dados pessoais por plataformas digitais.
Entre as atribuições da nova agência está o cumprimento do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o chamado ECA Digital (Lei nº 15.211, de 2025), criado no ano passado para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital.
A lei que criou o Estatuto Digital deu prazo até março deste ano para o início da fiscalização, o que motivou o governo a editar a medida provisória que transforma em agência reguladora a Autoridade Nacional de Proteção de Dados.
Entre as exigências impostas às plataformas está a obrigação de adotar medidas para evitar, identificar e remover conteúdos que violem os direitos das crianças, como assédio sexual, cyberbullying e incentivo ao suicídio ou à automutilação, entre outros.
A medida provisória também cria 200 cargos de especialista em regulação de proteção de dados e 18 cargos em comissão e funções de confiança por meio da transformação de cargos efetivos vagos. De acordo com o governo, não haverá aumento de despesas.
A MP cria ainda outros 26 cargos em comissão e funções de confiança, com impacto de 5 milhões de reais por ano. A justificativa para a criação dos cargos é de que são importantes para que a agência possa atuar.
Parlamentares da oposição criticaram a criação da agência. O deputado Reinhold Stephanes (PSD-PR) disse que a agência vai promover perseguição política em ano eleitoral. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) criticou o aumento dos gastos.
Adriana Ventura: “Cria cargos, cria uma estrutura, cria uma nova carreira, aumenta a máquina administrativa e vai na contramão do que a gente chama de eficiência e austeridade fiscal. Traz uma concessão desproporcional da autoridade, do poder de polícia. Então, a gente fica, de novo, preso em mais burocracia, mais custo regulatório e, para variar, não tem avaliação prévia de impacto regulatório.”
Já a bancada do governo defendeu a proposta. Para a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), a agência vai prevenir e impedir abusos no uso de dados pessoais pelas plataformas de internet.
Jandira Feghali: “Então, essa é uma medida que dá uma estrutura mais densa, mais potente, para fazer algo, inclusive, da segurança nacional. Isso é proteção de dados que nós estamos tratando aqui. Isso não é qualquer coisa. E ainda incorpora a competência de proteção das crianças e adolescentes, incorporando o ECA Digital. É contra isso que esses deputados estão contra.”
A medida provisória que cria a Agência Nacional de Proteção de Dados seguiu para análise do Senado.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Antonio Vital.








