25/11/2025 14:41 - Direitos Humanos
Radioagência
Marcha das mulheres negras é homenageada na Câmara
MARCHA DAS MULHERES NEGRAS É HOMENAGEADA NA CÂMARA. A REPÓRTER MÔNICA THATY ACOMPANHOU A SOLENIDADE.
A Câmara realizou sessão em homenagem à Marcha das mulheres negras.
A primeira marcha foi realizada em 2015, e contou com a presença de mais de 100 mil mulheres negras em Brasília, em uma mobilização que denunciava o racismo, o sexismo e a violência.
Este ano, a segunda marcha está sendo realizada em todo o país e traz como tema “Por reparação e bem viver”, com o objetivo de exigir reparação histórica em relação às desigualdades sociais e uma vida digna para todos.
A sessão foi presidida pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ), primeira mulher negra eleita para a Câmara, em 1982, e deputada constituinte em 1988.
Talíria Petrone (Psol-RJ), uma das deputadas que sugeriu a homenagem, afirmou que a mulher negra representa a base de construção do Brasil e que não é possível falar em futuro sem pensar em mulheres negras ocupando espaços de poder.
“E não há reconstrução possível que não passe pelas mãos das mulheres negras. Não há bem-viver possível que não passe pelas nossas mãos, porque se é verdade que a nossa existência nesse país é uma existência em tragédia, em dor, é verdade também que não há pedra sobre pedra sem o nosso trabalho, sem a nossa força, sem a nossa ancestralidade, sem a nossa resistência, sem a nossa ciência, sem os nossos saberes, sem as nossas culturas, sem o poder das mãos das mulheres negras”.
Talíria Petrone lembra que as mulheres negras são as que mais sofrem com as desigualdades sociais, concentram os menores rendimentos, enfrentam condições de trabalho mais precarizadas e sofrem mais violência, incluindo feminicídio.
A coordenadora da bancada feminina, Jack Rocha (PT-ES), também destacou a necessidade de aumentar a representatividade de mulheres negras para garantir o poder e a dignidade para toda a população. Para a deputada, a marcha representa a luta por um novo projeto de país.
“É um projeto político de país ocupar esse plenário. É um projeto político de país, fazer com que o orçamento nos caiba. É um projeto político de país, construir um Brasil antirracista, mas sobretudo que olhe para as mulheres negras com mais respeito, com mais dignidade, com mais condições de transformar a política”.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, acrescentou que as mulheres negras precisam ser vistas e respeitadas como cidadãs, com todos os seus direitos constitucionais garantidos.
“Porque nós somos, fazemos parte da construção dessa sociedade. Depois de 300 anos de escravidão, a gente tá sempre repetindo isso, porque esse racismo estrutural parece que não houve, não consegue perceber o que são 300 anos da vida de uma população. Essa reparação é reparação devida do Estado brasileiro com as pessoas afrodescendente desse país que colaboram de tantas formas”.
Também participaram da sessão as ministras dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo; da Igualdade Racial, Anielle Franco; e da Mulher, Márcia Lopes, além de representantes de diversos movimentos sociais.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Mônica Thaty.








