17/11/2025 17:14 - Meio Ambiente
Radioagência
Cúpula dos Povos apresenta carta aberta à COP30
EVENTO PARALELO MAIS SIMBÓLICO DAS CONFERÊNCIAS CLIMÁTICAS, A CÚPULA DOS POVOS TERMINOU EM BELÉM COM UMA CARTA ELABORADA POR ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE 65 PAÍSES. A REPORTAGEM É DE JOSÉ CARLOS OLIVEIRA.
Acompanhada por parlamentares, a Cúpula dos Povos foi concluída em Belém (em 16/11) com a apresentação de carta aberta à Conferência da ONU sobre Mudança do Clima. Entre as 15 propostas elaboradas por 1,1 mil organizações da sociedade civil de 65 países, estão o fim da exploração de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural; reparação de perdas e danos das populações impactadas por grandes projetos de mineração e de exploração energética; gestão popular das políticas climáticas nas cidades; demarcação dos territórios dos povos tradicionais; e fomento à agroecologia. A presidente da Subcomissão Especial da Câmara sobre a COP30, deputada Duda Salabert (PDT-MG), participou de várias ações ao longo dos cinco dias (12 a 16/11) da Cúpula dos Povos, realizada no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA).
“Aqui na Cúpula dos Povos, há o debate verdadeiro sobre justiça climática, com protagonismo de indígenas, mulheres e comunidades tradicionais; e não as grandes mineradoras que infelizmente estão ocupando a COP. Estamos aqui para mostrar que a Amazônia não é vitrine, é território vivo. O futuro do planeta depende de quem protege o planeta e não de quem explora o planeta”.
A Cúpula dos Povos ocorre desde a Eco-92 e é o evento paralelo mais simbólico das conferências climáticas. A edição deste ano teve 25 mil credenciados e também promoveu uma Marcha Global pelo Clima nas ruas de Belém, que contou com a presença do coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Nilto Tatto (PT-SP).
“Isso aqui é para dizer que não há possibilidade de enfrentar crise climática sem enfrentar a desigualdade.”
Coordenador do grupo de trabalho sobre educação ambiental na frente parlamentar, o deputado Chico Alencar (Psol-RJ) também marcou presença nos eventos da Cúpula dos Povos.
“Os nossos seis biomas estão acossados pela ganância do capital. Vamos opor a isso a força da nossa luta por justiça climática e ambiental. Educação ambiental vira o jogo.”
Além de propostas, a carta final da Cúpula dos Povos associa a crise climática ao modo de produção capitalista e denuncia a “privatização, mercantilização e financeirização dos bens comuns e serviços públicos”. O presidente da COP30, embaixador André Correa do Lago, compareceu à solenidade de encerramento do evento paralelo.
“Nós temos que abrir os nossos ouvidos e escutar a ciência e os povos”.
Pelas redes sociais, a deputada Duda Salabert criticou o andamento da COP30 diante de “avanços mínimos, textos travados e velha disputa entre países ricos e pobres”. Duda denuncia o lobby dos combustíveis fósseis na conferência climática e avalia que a diplomacia brasileira tem feito “malabarismo” para conseguir avanços nas negociações em torno de financiamento climático, metas de adaptação e parâmetros para medir injustiças climáticas.
Da Rádio Câmara, de Brasília, José Carlos Oliveira








