14/11/2025 18:34 - Direitos Humanos
Radioagência
Parlamentares defendem direitos das mulheres em reunião da COP30
EM REUNIÃO PARLAMENTAR DURANTE A COP 30, A DEPUTADA CÉLIA XAKRIABÁ E A SENADORA LEILA BARROS REFORÇARAM A CONEXÃO ENTRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DIREITOS DAS MULHERES. A REPORTAGEM É DE JOSÉ CARLOS OLIVEIRA.
A deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) defendeu a internacionalização de seu projeto “Sem Mulher Não Tem Clima”, que propõe o mapeamento da violência contra meninas e mulheres diretamente ligada à crise climática e a crimes socioambientais. Ela contou que cerca de 20 países já aderiram à campanha. A deputado exemplificou parte dessa violência.
“Ninguém contou que junto com a crise Yanomami que sensibilizou o mundo inteiro, mais de 30 meninas vitimadas pela violência do garimpo foram estrupadas em troco de comida. Ninguém contou o tráfico de mulheres ocasionado pela mineração ilegal em territórios indígenas. Mulheres Kayapó e mulheres do povo Guarani-Kaiowá estão com o útero contaminado e tendo malformações também por mercúrio”.
Xakriabá defendeu pelo menos 5% dos investimentos dos países em agenda de gênero e clima.
A diretora do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Julia Bunting, contou histórias por trás das estatísticas sobre violação dos direitos de mulheres e meninas. Acrescentou que “parlamentares são o link fundamental entre política, orçamento e comunidades”. Julia Bunting reforçou a conexão entre mudanças climáticas e saúde humana, em especial a feminina; e pediu liderança feminina nas ações de “transição justa rumo à economia verde”; além da superação do baixo índice de apenas 2,3% do financiamento climático destinado hoje às ações de igualdade de gênero.
Mediadora do debate sobre clima e gênero, a ex-assessora da direção geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Flavia Bustreo, relatou que a negociação na COP30 em torno do novo Plano de Ação de Gênero enfrentou resistência de alguns países quanto à adoção do termo “saúde reprodutiva”.
A senadora Leila Barros (PDT-DF) afirmou que as mulheres enfrentam os eventos extremos e depois a insegurança alimentar e a perda dos meios de subsistência. Ela pediu apoio para superar o fato de as mulheres ainda serem minoria nos espaços de poder.
“Não há transição justa sem a força e a voz do protagonismo feminino e que a União Interparlamentar lidere conosco a construção de uma agenda parlamentar que assegure voz, recursos e poder para que as mulheres, em todos os seus países, possam executar essa missão.”
Leila argumentou que a crise climática não é só ambiental, mas também social, econômica e de gênero.
Da Rádio Câmara, de Brasília, José Carlos Oliveira








