14/11/2025 17:08 -
Radioagência
Participantes da COP30 defendem redução urgente de emissões de metano
EM EVENTO PARLAMENTAR DA COP30, PARTICIPANTES DEFENDEM REDUÇÃO URGENTE DE EMISSÕES DE METANO. O REPÓRTER MURILO SOUZA ACOMPANHOU E TEM OS DETALHES.
Reduzir as emissões de metano é urgente para evitar um colapso do Acordo de Paris e frear o aquecimento global. O alerta é do representante da Global Methane Hub para a América Latina, Henrique Bezerra, que participou de evento promovido pela União Interparlamentar, pela Câmara dos Deputados e pelo Senado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém, no Pará.
Bezerra destaca que o metano é responsável por um terço do aquecimento global e é 86 vezes mais potente que o dióxido de carbono. Mas, diferentemente do CO₂, ele permanece menos tempo na atmosfera — de 12 a 20 anos.
“Por isso precisamos mitigar as emissões de metano porque vai servir como um freio emergencial para a crise climática, por isso temos essa campanha de pisar no freio das emissões”.
Segundo a Global Methane Hub, cortar 45% das emissões até 2030 pode baixar a temperatura global em até 0,3 grau até 2040. O metano vem principalmente da agropecuária, setor que responde por 40% das emissões, seguido de energia e combustíveis fósseis, com 33%, e lixo, com 20%.
Bezerra explica que não se trata de diminuir a quantidade de animais, mas reduzir a intensidade de metano por quilo de carne com tecnologias e melhores práticas.
“Nós temos uma quantidade grande de fazendeiros no Sul do país que vão aumentar a produtividade com melhor manejo de pasto, melhor seleção genética do gado para aumentar a produtividade e reduzir a emissão de metano".
Ele ressalta também a importância de leis para obrigar o setor de combustíveis fósseis a reduzir emissões, pois 75% delas podem ser cortadas com tecnologia barata, mas falta regulamentação. Sobre o lixo, ele acredita que o papel do terceiro setor e o reconhecimento dos catadores são fundamentais.
O ex-senador chileno Juan Pablo Letelier apresentou a Plataforma Parlamentar de Ação Climática Contra o Metano. Ele defende metas obrigatórias para os maiores emissores: agropecuária, indústria de óleo e gás e gestão de lixo.
“Todos os países têm que estabelecer uma meta de metano. Um pouquinho mais alta, um pouquinho mais baixa, mas tem que ter uma meta.”
No Brasil, com o segundo maior rebanho bovino do mundo, é possível produzir carne com menos metano usando suplementos e técnicas acessíveis. Dados do Observatório do Clima mostram que as emissões brasileiras de metano aumentaram 6% entre 2020 e 2023, com a agropecuária respondendo por mais de 75% das emissões, principalmente pela fermentação dos bovinos.
O moderador do debate, Mitch Reznick, da Federated Hermes, concluiu pedindo ação rápida dos líderes globais para reduzir as emissões de metano, comparando o tema ao acionamento de um freio de emergência, que pode ter impacto climático visível dentro de uma década.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Murilo Souza.








