27/10/2025 18:10 - Saúde
Radioagência
Comissão aprova projeto que cria protocolo clínico para o tratamento de doença decorrente de vício em tecnologia
COMISSÃO APROVA PROJETO QUE CRIA PROTOCOLO CLÍNICO PARA O TRATAMENTO DE DOENÇA DECORRENTE DE VÍCIO EM TECNOLOGIA. A REPÓRTER ISADORA MARINHO TEM OS DETALHES.
Foi aprovado pela Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, projeto de lei (PL 2218/15) que cria um protocolo clínico específico no Sistema Único de Saúde, o SUS, para o tratamento de doença decorrente de vício em tecnologia.
Atualmente, diversos dispositivos tecnológicos estão disponíveis para pessoas de diferentes faixas etárias e classes sociais. A maior parte desses indivíduos utiliza essas tecnologias de forma moderada. Porém, há uma parcela considerável da população que faz uso excessivo de eletrônicos, chegando a nível patológico.
Pesquisadores de uma universidade canadense realizaram um estudo, publicado na revista cientifica Computadores no Comportamento Humano em 2025, que analisou 81 pesquisas publicadas anteriormente sobre o uso de celulares por adolescentes e jovens adultos. Na pesquisa, o Brasil ocupou o quarto lugar da lista de países que têm as maiores taxas de dependência de smartphones no mundo, com uma pontuação de uso problemático de 32 pontos, apenas quatro pontos a menos do país ocupante do primeiro lugar, a China.
O vício por jogos eletrônicos já consta, desde 2013, no Manual de Diagnóstico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria. No entanto, o acréscimo das redes sociais, como “facebook” e “whatsapp” ainda não foi catalogada, por sua existência ainda ser considerada muito recente.
A dependência, quando afeta crianças e adolescentes, vem acompanhada de queda do desempenho escolar, perda do interesse social e problemas de convivência familiar. Outros sintomas comuns são perda do condicionamento físico e o ganho de peso que pode levar a outras doenças como obesidade e diabetes.
De acordo com a proposta, o diagnóstico adotará os critérios da Classificação Internacional de Doenças, a CID, da Organização Mundial da Saúde, a OMS, e da lei que já regulamenta o exercício da medicina no país.
O texto aprovado foi o do relator do projeto, deputado Allan Garcês (PP-MA), que além de estabelecer que o diagnóstico deve seguir os critérios da CID, também impõe que o tratamento realizado deverá ser feito por uma equipe multidisciplinar composta por psiquiatras, neurologistas e psicólogos, com foco em terapia comportamental, manejo do sono, apoio familiar e reabilitação social.
O deputado afirmou que o vício em tecnologia pode ser a raiz de outros transtornos:
“Olha, a gente tem que ter em mente que, embora pouco estudado, isso é uma condição que pode ser a base de outras doenças, pode ser a raiz de outros comprometimentos. Então, nós temos aqui o transtorno do impulso. Nós temos também eh à depressão, a ansiedade, são transtornos emocionais importantes.”
Agora, o projeto de lei que cria protocolo clínico específico para o tratamento de doença decorrente de vício em tecnologia pelo SUS será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Isadora Marinho.








