21/10/2025 16:29 - Energia
Radioagência
Instituto defende rateio dos custos das bandeiras tarifárias de energia com mercado livre
INSTITUTO DEFENDE RATEIO DOS CUSTOS DAS BANDEIRAS TARIFÁRIAS DE ENERGIA COM MERCADO LIVRE. A REPÓRTER SILVIA MUGNATTO ACOMPANHOU A DISCUSSÃO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS.
O Instituto de Estudos Socioeconômicos defendeu que as empresas que podem comprar energia no chamado “mercado livre” também paguem o custo das bandeiras tarifárias pagas pelos demais brasileiros na conta de luz. O instituto divulgou estudo na Comissão de Legislação Participativa sobre o impacto das bandeiras na renda das famílias mais pobres.
O deputado Pedro Uczai (PT-SC) disse que o pagamento do custo pelos usuários do mercado livre traria justiça tarifária:
“Por que o mercado livre não paga a conta? Deixa o sistema regulado para menos gente, para os mais pobres, com exceção aqui da justiça tarifária... Todo mundo vai pagar a conta quanto menos gente fica no mercado regulado. Não há uma injustiça nesse sistema, nesse modelo?”
O sistema de bandeiras é utilizado para aumentar ou não a conta de luz mensal. Isso acontece na medida em que há necessidade de uso de energia mais cara, a termelétrica, por causa de uma situação climática de menos geração de energia hidrelétrica. A bandeira verde significa que não haverá acréscimo e existem três níveis de aumento: amarela e dois patamares de bandeira vermelha.
Cássio Carvalho, do Inesc, disse que o custo das bandeiras impacta mais as mulheres negras de baixa renda, que gastam quase 12% da renda com energia. Os homens brancos de alta renda gastariam, 3,4%.
No caso das mulheres negras de alta renda, a mudança para a bandeira vermelha patamar 2 geraria um aumento de 10% no orçamento. Para os homens brancos de alta renda, de 6,2%.
Cássio afirmou que um dos objetivos das bandeiras é conscientizar o consumidor para a necessidade de redução do consumo, mas isso seria impossível para as famílias mais pobres que já estariam no mínimo necessário:
“Elas não vão deixar de tomar o banho, não vão poder desligar a sua geladeira. Aí é preciso o sistema das bandeiras entender que o objetivo não está sendo alcançado com essas famílias.”
Flávia Pederneiras, da Aneel, explicou que o objetivo maior das bandeiras é mostrar o custo das mudanças na geração de energia. Segundo ela, antes das bandeiras, esse custo era repassado anualmente com juros porque já havia sido pago pelo sistema. Ela afirmou que, desde 2015, as bandeiras teriam evitado uma conta de juros de quase R$ 13 bilhões.
A técnica lembrou que as bandeiras não atingem as famílias de baixa renda que estão na tarifa social. Mas ela concordou que o consumidor que não está no mercado livre tem pagado mais encargos.
André Luiz de Oliveira, do Ministério de Minas e Energia, disse que o programa de tarifa social foi reformulado e agora tem energia gratuita para o consumo de até 80 quilowatts por mês. Ele também citou o programa Luz para Todos que, em 20 anos, aumentou o acesso à energia elétrica no país. Segundo ele, apenas 290 mil unidades não tem acesso hoje.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Silvia Mugnatto








