21/10/2025 01:20 - Previdência
Radioagência
Ex-integrante do Conselho Nacional de Previdência Social conta que denunciou irregularidades em descontos associativos
EX-INTEGRANTE DO CONSELHO NACIONAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL CONTA QUE DENUNCIOU IRREGULARIDADES EM DESCONTOS ASSOCIATIVOS. A REPÓRTER SILVIA MUGNATTO ACOMPANHOU O DEPOIMENTO A CPI QUE INVESTIGA AS FRAUDES NO INSS.
*Atualizada às 7h36
A ex-integrante do Conselho Nacional de Previdência Social Tonia Andrea Galetti disse que desde 2019 vinha informando autoridades do governo que estava recebendo denúncias de irregularidades no sistema de descontos associativos relativos a aposentados e pensionistas do INSS.
Ela disse aos membros da CPMI do INSS que, em uma dessas ocasiões, em junho de 2023, em reunião do conselho, o então ministro da Previdência Social Carlos Lupi estava presente. Antes disso, no governo anterior, ela disse que falou sobre o assunto com o ex-presidente do INSS José Carlos Oliveira.
Segundo Tonia, os associados estavam reclamando que eram abordados por outras entidades e inclusive alguns descobriram que estavam filiados a outras entidades sem terem assinado nada. Ela também desconfiava de entidades que conseguiam 80 mil associados em um curto período de tempo.
Questionada pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), ela disse que o assunto nunca foi discutido no conselho, mas ela soube que foram tomadas algumas medidas administrativas.
Tonia é assessora jurídica do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, o Sindnapi, entidade fundada por seu pai e que também oferecia serviços para aposentados.
Ela disse que 250 mil associados contestaram as associações com o sindicato após as denúncias de irregularidades no sistema como um todo. Mas ela disse que este total deve ser relativizado porque cerca de 45 mil deles utilizaram 320 mil vezes os benefícios de medicamentos após a contestação. Ela contou ainda que tem procurações de outros 15 mil para entrar com ações coletivas.
Logo no início, o relator mostrou que muitos membros da família de Tonia e ela mesmo receberam mais de R$ 20 milhões do sindicato ou da gestora dos benefícios contratada pelo sindicato, a Eficiente, nos últimos anos. Neste período, o total de associados teria passado de 145 mil em 2019 para mais de 400 mil.
A advogada, porém, disse que o dinheiro foi fruto de trabalho:
“Mas quando vocês colocam: ah não sei quantos milhões para sua família... Puxa, minha família trabalhou! Tá bom, a gente pode falar que isso é uma certa imoralidade. Ah, não deveria estar toda a família lá... Mas isso não se trata de crime, porque tem trabalho!”
Tonia afirmou que o sindicato nunca fraudou ninguém. Ela contou que a partir de 2017, após a constatação de que o número de associados estava estagnado, foi feito apenas um acordo com o banco BMG para a oferta de mais serviços.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) disse que existem falhas na investigação da Controladoria-Geral da União que apurou as fraudes por meio de questionários aplicados em amostras de associados:
“Porque curiosamente com relação a uma outra entidade que muitas vezes é falada aqui, que é a CONTAG, foram seis pessoas. E a pergunta que era feita era se a pessoa contribuía para a CONTAG e cinco responderam que não! Porque as pessoas não contribuem para a CONTAG, as pessoas contribuem para o sindicato de trabalhadores rurais da cidade dela.”
Da Rádio Câmara, de Brasília, Silvia Mugnatto








