17/10/2025 05:00 - Previdência
Radioagência
Empresário admite à CPMI do INSS ter aberto empresas para entidade de agricultores
CÍCERO SANTOS ADMITE À CPMI DO INSS TER ABERTO EMPRESAS PARA ENTIDADE DE AGRICULTORES. O REPÓRTER TIAGO MIRANDA ACOMPANHOU O DEPOIMENTO.
O empresário Cícero Marcelino Santos, ligado à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares, Conafer, admitiu que abriu empresas para prestar serviços a pedidos de Carlos Lopes, presidente da entidade. Ele prestou depoimento à CPMI que investiga as fraudes no INSS.
Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), a Conafer arrecadou cerca de 688 milhões de reais de descontos de trabalhadores rurais e indígenas inativos desde 2019. Carlos Lopes, presidente da entidade, chegou a prestar depoimento à CPMI em setembro, chegou a ser preso em flagrante, mas foi solto depois de pagar fiança.
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), foi contra a prisão em flagrante de Cícero Marcelino de Souza Santos por considerar que ele foi usado como laranja para ocultar desvios de recursos de aposentados e pensionistas.
"Não sei se lhe trato como testemunha ou investigado. Por isso não vou poder sua prisão. Essa coisa de blindar poderosos e lascar quem está abaixo, não conte comigo não".
Ao longo de mais de duas horas de questionamento, Gaspar relacionou diversas empresas de Santos, como papelaria, locadora de veículos e fintech, que teriam intermediado repasses para a Conafer, distribuindo recursos para beneficiários finais. Cícero Santos reconheceu que a maioria foi criada para atender demandas de Carlos Lopes. Ele recebia planilhas da entidade como orientações de pagamentos e os repassava. Cícero Santos negou saber de onde vinham os recursos recebidos pela Conafer. Ele e a esposa teriam movimentado cerca de R$ 300 milhões da Conafer desde 2019.
Parlamentares pressionaram Cícero Santos para ele aceitar fazer delação premiada para relatar mais detalhadamente as ações da entidade. Porém, ele disse que não se lembrava de muitos dados solicitados e que não fez nada diretamente contra idosos, mas apenas prestava serviços pra entidade.
A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) afirmou que a Conafer atuava como sindicato fantasma e questionou Santos se ele não se via como um laranja no esquema. O empresário, porém, desconversou e disse que ter atuado apenas para prestar serviços.
"Não sabia que estava sendo usado como laranja, porque eu não ficava em casa o dia todo descansando e receberia. Eu tinha serviço para fazer o dia todo".
Durante o depoimento, Cícero Santos negou qualquer vínculo com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e outros alvos de investigação da Polícia Federal. Disse ainda jamais ter transportado valores indevidos a autoridades e explicou que o cargo de “assessor” da Conafer é apenas um título simbólico; que ele, na verdade, era prestador de serviços.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Tiago Miranda








