15/10/2025 14:50 - Energia
Radioagência
Ministro afirma que governo vai defender fim dos gastos socioambientais de Itaipu
MINISTRO AFIRMA QUE GOVERNO VAI DEFENDER FIM DOS GASTOS SOCIOAMBIENTAIS DE ITAIPU. A REPÓRTER SILVIA MUGNATTO ACOMPANHOU A REUNIÃO DO MINISTRO COM DEPUTADOS.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que o Brasil vai defender o fim dos gastos socioambientais relativos à usina de Itaipu a partir de 2027. O ministro fez o anúncio em audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, na qual falou sobre vários assuntos, entre eles as negociações sobre Itaipu que vêm sendo feitas com o Paraguai.
Para Silveira, a medida terá impacto na conta de luz:
“Que a gente acabe a partir de janeiro de 27 com os gastos socioambientais para reduzir o preço de energia no Brasil.”
Brasil e Paraguai estão negociando o chamado anexo C do acordo de Itaipu após o fim do financiamento da construção da usina. O anexo C trata das bases financeiras e comerciais do acordo.
O deputado Welter (PT-PR) disse que todos os municípios do Paraná e 35 do Mato Grosso do Sul usam os recursos socioambientais para preservar a região:
“Essas medidas socioambientais que são feitas por Itaipu; a conservação de solos para que os dejetos, o solo, não vá para os rios e fiquem assoreando o lago. Então, tem que ter uma garantia de sustentabilidade. As curvas de níveis, o sistema de microbacias tem que ser muito bem preservado e conservado para que o lago não seja assoreado.”
Já o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) defendeu a eliminação dos gastos:
“Para que serve Itaipu? Para fazer projeto socioambiental? Ou é para, de fato, ter segurança energética, barateamento dos custos de energia elétrica para o povo brasileiro e ter caixa de investimento em futuras fontes de energia?”
Sobre a questão dos minerais críticos, os minerais usados por setores de alta tecnologia, o ministro disse que foi convidado para tratar do assunto em uma reunião com o secretário de Energia americano após a melhora das relações com os Estados Unidos. Ele ainda afirmou que será instalado um Conselho Nacional de Política Mineral que tratará do tema de forma mais focada.
Em relação ao descompasso entre a geração de energia eólica e solar e a capacidade do país de usá-la, Alexandre Silveira reafirmou que será realizado um leilão para armazenamento de energia em dezembro. O descompasso ocorre porque esta energia renovável é intermitente e, em alguns momentos, é gerada em excesso para a demanda ou acontece justamente o contrário. Com isso, algumas vezes o Operador Nacional do Sistema Elétrico precisa “desligar” energia para evitar sobrecarga.
O ministro também explicou que a nova política para a instalação de datacenters no país vai ajudar com o descompasso, criando mais demanda para a energia gerada em alguns locais. E citou a possibilidade de instalação de um datacenter do tik tok no Ceará, que produz energia renovável.
Uma terceira ação são as obras de aumento da transmissão de energia elétrica que começaram em 2023 e vão até 2028, segundo o ministro.
Outro assunto tratado pelo ministro foi a energia nuclear. Ele disse que trabalha em uma reestruturação do setor porque, segundo ele, ela cresce no mundo todo e está paralisada no Brasil:
“E o Brasil, detentor da sétima reserva de urânio, com apenas 30% do subsolo conhecido, e o urânio tendo um valor econômico como tem hoje no mundo... Angra 1 foi construída em oito anos. Nós estamos há 30 anos amassando barro com Angra 3. É inadmissível.”
De acordo com Alexandre Silveira, os pequenos reatores nucleares seriam uma solução para os mais de 200 sistemas isolados na Amazônia, onde não há viabilidade de linhas de transmissão. E defendeu inclusive o uso da energia nuclear para defesa, o que dependeria de mudanças na Constituição.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Silvia Mugnatto.








