14/10/2025 18:20 - Meio Ambiente
Radioagência
Comissão promove audiência pública para discutir a exploração de combustíveis fósseis na Amazônia
COMISSÃO RECEBE RELATÓRIO CONTRA A EXPLORAÇÃO DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS NA AMAZÔNIA. A REPÓRTER ISADORA MARINHO TEM MAIS DETALHES SOBRE A DISCUSSÃO.
Diversos parlamentares latino-americanos e especialistas apresentaram recomendações para a saída dos combustíveis fósseis na Amazônia, eles entregaram um relatório que aborda as consequências da exploração de petróleo e gás na região, e ofereceram alternativas para uma transição energética justa para o bioma.
O encontro ocorreu na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, e debateu o papel das mulheres para um futuro com justiça climática, principalmente ao defender a Amazônia livre de combustíveis fósseis.
A presidente do grupo de trabalho amazônico
Silas Mesquita, mulher Apurinã que coordena a Rede de Trabalho Amazônico, afirmou que há mais de 30 anos a Petrobras está explorando o estado do Amazonas e que diversas comunidades são afetadas diretamente.
Ela cita um gasoduto construído dentro de territórios de povos e comunidades tradicionais, que afeta a pesca e moradia na região. Ainda de acordo com Silas Mesquita, empresas de energia da região têm projetos que afetam mais de 12 povos indígenas, comunidades tradicionais ribeirinhas e pescadores.
“E nós estamos aqui para dizer: Não queremos desenvolvimento massacrando a vida das comunidades. Não queremos desenvolvimento matando os nossos rios, matando a nossa floresta e expulsando as comunidades que estão ali desde sempre. ”
Jahiren Noriega, parlamentar da Assembleia Nacional do Equador, afirmou que 10 bancos são responsáveis por 63% do financiamento ao setor petrolífero, e também são responsáveis diretos pelo problema:
“Isso quer dizer que esses poderes políticos também estão ligados a grandes interesses econômicos que têm tentado nos convencer de que a única forma de viver, a única forma de desenvolver nossos países, é por meio do extrativismo.”
Mariana Lyrio, representante do Observatório do Clima, uma rede que hoje conta com mais de 150 organizações não governamentais que tratam da agenda socioambiental, criticou o Plano Clima, uma política nacional do Brasil que guiará as ações para enfrentar as mudanças climáticas nos próximos anos.
“Tá acontecendo agora a elaboração do plano clima, e uma das coisas que esse plano clima não cita é a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. O que para gente é muito preocupante porque esse plano clima deve ser lançado em 2026 e o que a gente nota é que independente do governo que a gente tiver no ano que vem, vai ser ainda uma luta muito árdua da sociedade civil é para trabalhar contra a exploração dos combustíveis fósseis. ”
Ela afirmou que a Petrobrás tem um valor muito simbólico e econômico no Brasil, e que esse valor não deve ser perdido, mas a corporação precisa mudar a forma como trabalha hoje, para que se torne uma empresa de energia e não exploradora de combustíveis fósseis.
Célia Xakriabá (Psol-MG), uma das deputadas que solicitou a audiência, defende mais parlamentares da Amazônia no debate, que retratem os direitos da região, e que a solução para essa agenda é feminina:
“A solução da agenda global, seja econômica, seja ambiental, ela passa pela democracia. A democracia é feminina, a política é feminina, a solução e a cura vai ser feminina, por isso o reposicionamento político de uma casa onde tem apenas 19% das parlamentar, embora nós sejamos responsável por 48% da agenda de produção legislativa.”
A deputada defendeu que o relatório não apenas destaca a urgência da saída dos combustíveis fósseis do bioma amazônico, mas também propõe um conjunto de alternativas concretas que incluem o fortalecimento das economias locais, a ampliação das energias renováveis e mecanismos de cooperação internacional para financiar uma transição justa.
Ao entregar o relatório à Presidência da COP30, Célia Xakriabá e os demais participantes ressaltaram que este esforço é apenas o começo e pedem paras que os presidentes dos países amazônicos declarem a Amazônia como zona de não expansão dos combustíveis fósseis.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Isadora Marinho.








