08/10/2025 16:58 - Relações Exteriores
Radioagência
Participantes de debate defendem soberania digital de países do BRICS
PARTICIPANTES DE DEBATE DEFENDEM SOBERANIA DIGITAL DE PAÍSES DO BRICS. A REPÓRTER NOELI NOBRE ACOMPANHOU A DISCUSSÃO E TEM MAIS DETALHES
A alta dependência do Brasil em relação às grandes corporações estrangeiras de tecnologia – as chamadas big techs- , a necessidade de construir infraestrutura própria e uma possível cooperação com os demais países do BRICS foram os principais pontos de um debate realizado pela Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados.
Realizada a pedido do deputado Fausto Pinato (PP-SP), a reunião contou com representantes de Brasil, China e Índia. Atualmente com 11 países membros, o BRICS é visto como foro para a articulação político-diplomática e a cooperação.
Os palestrantes convergiram que a soberania tecnológica é essencial para a determinação pessoal na era digital.
Isabela Rocha, do Fórum para Tecnologia Estratégica dos BRICS+, criticou a situação brasileira. Ela observou que, apesar de o Brasil ser um dos que mais utiliza smartphones e ter um polo industrial robusto em Manaus, segue como um país que importa estrutura tecnológica e utiliza plataformas de internet estrangeiras não regulamentadas por aqui.
Isabela Rocha: “Onde nós, brasileiros, podemos promover os nossos valores, conservar nossa cultura? Isso não acontece se a infraestrutura não é nossa, se a regulamentação não é feita no Brasil.”
Na avaliação de Xiao Youdan, consultor de políticas de ciência e tecnologia de Pequim, a prevalência de algumas nações na tecnologia é danosa, pois concentra geograficamente e politicamente a cadeia de suprimentos, sujeitando as economias a disputas e impondo padrões normativos.
Integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, Ergon Cugler propôs que a soberania deve partir da reflexão sobre "quem controla tecnologia, por que e para quê". Ele também defendeu a urgência da regulação.
Ergon Cugler: “Sem regra, sem lei no ambiente digital, a gente fica a mercê de regra exterior nos pautando.”
Ergon Cugler destacou ainda que o dinheiro que o governo gasta com software e estruturas externas daria para construir infraestrutura mínima, como bancar 86 datacenters. Ele se referiu aos R$ 23 bilhões destinados pelo Brasil entre 2014 e 2025 a contratos de softwares, serviços em nuvem e aplicações de segurança fornecidos por empresas estrangeiras.
O debate foi conduzido pelo deputado Dr. Zacharias Calil (União-GO).
Da Rádio Câmara, de Brasília, Noéli Nobre.








