08/10/2025 15:27 - Saúde
Radioagência
Inca afirma que cigarros eletrônicos são a estratégia para repor fumantes que morrem em consequência do cigarro
INSTITUTO AFIRMA QUE CIGARROS ELETRÔNICOS FAZEM PARTE DE ESTRATÉGIA PARA CONQUISTAR NOVOS FUMANTES. A REPÓRTER MARIA NEVES ACOMPANHOU AUDIÊNCIA SOBRE O TEMA E TEM MAIS INFORMAÇÕES.
Participantes de audiência pública na Câmara dos Deputados denunciaram que os cigarros eletrônicos representam a estratégia da indústria do tabaco para atrair novos fumantes. De acordo com o representante do Instituto Nacional do Câncer (Inca), André Szklo, a reposição dos clientes é fundamental para o setor porque as doenças associadas ao tabagismo matam dois a cada três fumantes.
André Szklo: “Essa conta que a indústria do tabaco não conta, ela não conta porque esse é um produto que está inerentemente associado à morte e ao sofrimento, e ela lucra em função disso. Então o Brasil tem um ciclo vicioso permanente de perdas causadas pelo tabagismo, em que novos tabagistas são estimulados, novos indivíduos são estimulados, a consumir produtos associados à dependência de nicotina para a repor aqueles que vão morrer.”
Ainda segundo André Szklo, a cada 156 mil reais que a indústria do tabaco investe em propaganda para atrair novos fumantes no Brasil, ocorre uma morte. Além disso, o pesquisador do Inca relata que a cada real arrecado com tributos do tabaco, o país gasta mais de 5 reais para tratar as doenças causadas pelo tabagismo.
André Szklo participou de audiência pública pedida pelo deputado [[Padre João]] (PT-MG) para debater a resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Avisa) que proíbe a produção, a importação e a comercialização de dispositivos eletrônicos para fumar no Brasil.
O parlamentar é relator de um projeto da deputada [[Flávia Morais]] (PDT-GO) que torna crime realizar qualquer atividade relacionada aos cigarros eletrônicos (PL 2158/24). A pena prevista é detenção, de um a três anos, e multa.
Na opinião de Padre João, é fundamental reprimir as indústrias prejudiciais à saúde. Para isso, defende também a mobilização popular.
Padre João: “Essas indústrias perversas, que não estão nem aí com a saúde das pessoas, que quer o lucro, elas têm que pagar, por isso que aqui também nós avançamos um pouco na reforma tributária, dos ultraprocessados, porque a indústria alimentícia é a mesma coisa, quer o lucro, não importa se vai ter um câncer, que é uma doença crônica. Infelizmente, essa casa foi contaminada por essas atividades econômicas, ainda bem que as ruas estão mudando essa consciência, mas nós temos que continuar nesse trabalho, nessa militância.”
A deputada [[Gisela Simona]] (União-MT) também é autora de projeto que torna crime produzir, fazer propaganda e comercializar cigarros eletrônicos (PL 4888/23). Nesse caso, a pena seria de 2 a 4 anos de reclusão, a ser aplicada em dobro quando a propaganda for dirigida a menor de 18 anos. A deputada defende que o país não pode retroceder no combate ao tabagismo.
Gisela Simona: “No Brasil nós travamos uma luta intensa contra o tabagismo, e hoje sob a falácia de gerar emprego, sob a falácia de ser menos prejudicial à saúde, se tenta regularizar os dispositivos eletrônicos para fumar no Brasil, o que a gente vê com uma grande derrota, caso isso aconteça, e nós não podemos deixar morrer dentro dessa casa uma discussão que é fundamental para nós salvarmos, vamos colocar principalmente os nossos jovens, nossas crianças, que estão encantadas com essa saborização, com esse novo formato do cigarro.”
O professor de pneumologia da Escola de Medicina da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Paulo César Corrêa explicou que atualmente o principal público da propaganda de cigarro são crianças e adolescentes. Para isso, a indústria do tabaco utiliza estratégias como aromas e sabores adocicados, além de embalagens coloridas.
Como ressaltou a ex-coordenadora do Programa de Controle do Tabagismo do município e do estado do Rio de Janeiro, Sabrina Presman, essas estratégias também têm como objetivo reverter a imagem negativa do tabaco entre os brasileiros. A especialista lembrou que, desde a década de 90, as políticas de combate ao tabagismo adotadas no país foram eficientes em reduzir o número de fumantes.
O pesquisador do Inca André Szklo também destacou que essas políticas de controle do tabaco conseguiram controlar a epidemia de cigarro no Brasil. Mas, com os cigarros eletrônicos, mesmo proibidos no país, a indústria começa a reverter esses resultados positivos e mudar o perfil do público fumante. Segundo o especialista, hoje os maiores usuários de tabaco, nas diferentes formas, são adolescentes e adultos jovens, de alta renda e com níveis elevados de escolaridade.
Não foram convidados para a audiência pública representantes da indústria do tabaco.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Maria Neves.








