07/10/2025 01:31 - Previdência
Radioagência
Empresário Fernando Cavalcanti nega ser “laranja” em esquema de fraudes do INSS
EMPRESÁRIO FERNANDO CAVALCANTI NEGA SER “LARANJA” EM ESQUEMA DE FRAUDES DO INSS. O REPORTER MURILO SOUZA ACOMPANHOU O DEPOIMENTO À CPMI QUE INVESTIGA O CASO.
O economista e empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti negou, em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, ter envolvimento no esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões.
Amparado por um habeas corpus, Cavalcanti compareceu à CPMI após ter seu sigilo bancário e fiscal quebrado pela comissão e preferiu não assumir o compromisso de falar a verdade. Ele é apontado nas investigações da Polícia Federal (PF) como sócio do advogado Nelson Wilians, que já prestou depoimento à comissão.
No dia 12 de setembro, Cavalcanti foi alvo de busca e apreensão na Operação Cambota, um desdobramento da Operação Sem Desconto, que investiga as fraudes. Entre os itens apreendidos estavam obras de arte, garrafas de bebida estimadas em R$ 10 milhões de reais no total, e veículos de luxo, incluindo uma Ferrari F8 avaliada em mais de R$ 4 milhões e uma réplica da McLaren de Fórmula 1 MP4/8, pilotada por Ayrton Senna.
No depoimento, ele negou enfaticamente ser "laranja, operador ou beneficiário de qualquer esquema" e afirmou que seu patrimônio é de origem lícita e compatível com suas atividades profissionais.
“O dinheiro que ganhei nos últimos anos são fruto de trabalho árduo, crescimento exponencial do mercado jurídico, novas filiais abertas no Brasil inteiro e da minha disposição em ver o escritório crescer, assim como honrar aquele que havia sido o maior franqueador de oportunidades, o senhor. Nelson Wilians”.
Em resposta ao relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), Cavalcanti confirmou a existência de contratos de empréstimos entre Nelson Williams e o empresário Maurício Camisotti, que é investigado no esquema por tentar converter R$ 59 milhões em criptomoedas 16 dias após a Polícia Federal deflagrar a Operação Sem Desconto.
Segundo a PF, Maurício Camisotti controlava ao menos três entidades que, desde 2021, faturaram mais de R$ 1 bilhão com a utilização de descontos não autorizados em contas de beneficiários do INSS.
O depoimento trouxe ainda à tona questões sobre a evolução financeira de Fernado Cavalcanti dentro do esquema, contrastando ganhos formais declarados com a construção de um patrimônio milionário.
Cavalcanti afirmou que entrou no grupo Nelson Wilians em 9 de março de 2009, saiu para trabalhar na Assembleia Legislativa e na prefeitura de São Paulo, retornando ao escritório no final de 2017. Ele informou que, em 2017, seu patrimônio era cerca de R$ 100 mil, mas não revelou o valor atual em 2025, afirmando que cresceu junto com o crescimento do escritório nos últimos anos.
O relator então ironizou:
“Olha, é o primeiro caso que eu vejo em que o dono do escritório está com uma dívida tremenda, pelo que o senhor fala, e o senhor, que é um funcionário dele, está voando, cada vez com um patrimônio maior. Não sei se o senhor organizou a vida do Nelson Wilians, mas, pelo jeito, o senhor organizou a sua vida”.
Durante o depoimento, Cavalcanti relatou ainda ser sócio da FAC Negócios e Investimentos, além de outras empresas no segmento de moda, restaurante, seguros, além da empresa de consultoria empresarial, NW Group. Por fim, relatou ser o único sócio da Valestra, empresa de consultoria empresarial com faturamento de R$ 20 milhões de reais por mês.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Murilo Souza.








