01/10/2025 16:05 - Relações Exteriores
Radioagência
Chanceler brasileiro afirma que o governo apoia plano de Trump para a paz em Gaza
CHANCELER BRASILEIRO AFIRMA QUE O GOVERNO APOIA PLANO DE DONALD TRUMP PARA A PAZ EM GAZA. A REPÓRTER SILVIA MUGNATTO ACOMPANHOU O ENCONTRO COM DEPUTADOS.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse aos deputados da Comissão de Relações Exteriores da Câmara que o governo brasileiro aplaude o plano anunciado pelo presidente americano Donald Trump para a paz em Gaza. Segundo ele, as propostas estão em linha com o que o Brasil defendeu nas Nações Unidas:
“Apresentamos resoluções neste sentido que foram na ocasião vetadas por um país membro e justamente a libertação dos reféns, o fim do conflito, cessar-fogo imediato, reconstrução de Gaza, respeito aos direitos humanos, ajuda humanitária... Tudo isso está dentro das nossas linhas políticas e sem dúvida nenhuma o Brasil aplaude a iniciativa e fazemos votos de que ela surta efeitos, que seja aceita por todas as partes.”
O deputado Alencar Santana (PT-SP) disse que o presidente Lula agiu corretamente ao criticar as ações de Israel em Gaza:
“A postura brasileira, desde o início, que condenou o ataque terrorista do Hamas, mas ao mesmo tempo diz que o governo israelense está praticando genocídio. Não é à toa que, agora, nessa conferência, até o vizinho dos Estados Unidos, que eles queriam anexar, o Canadá, reconheceu o Estado palestino.”
Mauro Vieira esteve na comissão para fazer esclarecimentos sobre nove requerimentos. Um deles, do deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES), questionava o que o Brasil vem fazendo sobre a presença do Hezbollah na América do Sul e se o país vai considerar o grupo uma organização terrorista.
O ministro disse que não existem informações confiáveis sobre essa presença e que a legislação brasileira só considera terroristas as organizações classificadas desta forma pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Mas, ao falar sobre o combate ao narcotráfico, ele manifestou preocupação com iniciativas que transformem organizações criminosas em organizações terroristas:
“Usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento. Esse tipo de unilateralismo, ademais, incita a extraterritorialidade da ação repressora de outros países e estigmatiza minorias com impactos reais para cidadãos brasileiros no exterior. Assistimos hoje, na América Latina e no Caribe, a instrumentalização do combate ao terrorismo para justificar sanções e invasões em outros países.”
O deputado Evair Vieira de Melo também questionou o ministro se o governo concordaria com a retirada do ex-presidente Jair Bolsonaro do Brasil por outro país como foi feito pelo Brasil com a ex-primeira dama do Peru, Nadine Heredia, em abril, condenada por corrupção:
“Se o presidente Trump, então, por motivo de saúde, decidir descer em território brasileiro e levar Jair Bolsonaro para os Estados Unidos, terá o entendimento do Itamaraty na mesma lógica que o senhor usou para a corrupta condenada peruana ou são dois pesos e duas medidas diferentes?”
Vieira disse que o pedido de asilo de Heredia foi prontamente aceito pelo próprio governo peruano.
Sobre o encontro entre Lula e Trump, Vieira disse que isso vem sendo tratado de maneira cautelosa e sigilosa até que haja algo mais concreto. Mas disse que há a possibilidade de um encontro paralelo em algum evento internacional que os dois participem.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Silvia Mugnatto








