29/09/2025 23:08 - Previdência
Radioagência
Presidente da Conafer diz desconhecer boa parte dos questionamentos em depoimento na CPMI do INSS
PRESIDENTE DA CONAFER DIZ DESCONHECER BOA PARTE DOS QUESTIONAMENTOS NA CPMI DO INSS. A REPÓRTER NOELI NOBRE ACOMPANHOU O DEPOIMENTO.
O presidente da Conafer, a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais, Carlos Roberto Ferreira Lopes, depôs na CPMI que investiga fraudes em benefícios do INSS e disse desconhecer a resposta para a maioria das acusações e questionamentos feitos pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
A Conafer é investigada na fraude do INSS por estar entre as entidades com maior volume de descontos nas mensalidades de aposentados.
Um dos momentos mais tensos do depoimento ocorreu quando Alfredo Gaspar questionou Lopes sobre um suposto padrão da Conafer de enviar fichas de adesão com assinaturas de pessoas que já haviam morrido, com o número de "ressuscitados" chegando a mais de 2 mil em 2023.
“Em 2024 a Conafer foi obrigada pela CGU a mandar cem fichas para conferência das regularidades das adesões. O senhor mandou a ficha da dona Maria Rodrigues. Ela já tinha morrido há cinco anos e fez uma assinatura. Esse padrão se repetiu mais de 300 vezes pela Conafer. O Gilberto morreu há 20 anos, mas assinou. É padrão da Conafer ressuscitar mortos para assinatura de descontos associativos?”
Carlos Lopes respondeu com uma pergunta:
“É padrão do INSS ter defunto recebendo benefício? Se o morto tiver recebendo benefício, sim.”
O presidente da Conafer também disse desconhecer diversas das informações apresentadas. Entre elas:
- afirmou desconhecer movimentação de quase R$ 2 milhões em suas contas em um período de dois meses em 2024;
- declarou não se recordar de uma entrevista em que teria chamado um deputado de "padrinho" da entidade;
- disse desconhecer a compra de aviões comprados por um instituto ligado à Conafer e ainda se sua esposa participou de licitação fraudulenta.
Carlos Lopes também discordou da apuração da CGU, a Controladoria-Geral da União, que estimou que a entidade arrecadou R$ 800 milhões de reais dos aposentados, alegando que o valor seria de R$ 500 milhões a R$ 600 milhões.
Em sua fala inicial, Carlos Lopes se defendeu, dizendo ser "avesso a qualquer tipo de corrupção e de fraude". Segundo ele, a Conafer existe desde 2004 para dar voz ao agricultor familiar.
Ele disse ainda que a entidade tem apenas 11% de sua carteira de associados com aposentados.
O relator, Alfredo Gaspar, no entanto, concentrou-se nas suspeitas de uso da entidade para enriquecimento e ilicitudes e ressaltou que 100% daqueles que foram entrevistados disseram que a Conafer mentiu na autorização.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Noéli Nobre








