24/09/2025 13:36 - Direitos Humanos
Radioagência
Lei Maria da Penha avançou no combate à violência, mas especialistas alertam que é preciso intensificar prevenção
LEI MARIA DA PENHA AVANÇOU NO COMBATE À VIOLÊNCIA, MAS ESPECIALISTAS ALERTAM QUE É PRECISO INTENSIFICAR PREVENÇÃO. O TEMA FOI DEBATIDO NA CÂMARA, EM EVENTO QUE MARCOU OS 30 ANOS DA CONVENÇÃO DE BELÉM DO PARÁ, DE PREVENÇÃO E ERRADICAÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER. A REPÓRTER NOELI NOBRE ACOMPANHOU.
A Lei Maria da Penha (11.340/06) foi mencionada como o grande avanço do Brasil no combate à violência contra a mulher passados 30 anos da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, conhecida como Convenção de Belém do Pará.
Adotado em 1994 pela Organização dos Estados Americanos, o acordo define a violência contra a mulher como uma violação dos direitos humanos. Os 30 anos da convenção foram tema de um seminário promovido (nesta quarta-feira, 24) pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
Assessora da ONU Mulheres, Wania Pasinato lembrou que a Convenção de Belém trouxe novos paradigmas,
“Desnaturalizando a violência, colocando o dever dos Estados para construção de políticas para prevenir e responder de forma adequada a essa violência”.
Além da Lei Maria da Penha, foram citadas no debate como avanços:
- a Lei do Feminicídio (13.104/15);
- a Casa da Mulher Brasileira, lançada em 2015 para acolhimento de mulheres em situação de violência;
- a Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres; e
- as delegacias da mulher, que existem desde 1985, antes mesmo da Convenção de Belém.
Apesar dos avanços, palestrantes e deputadas ressaltaram que a violência de gênero continua a crescer, inclusive na política e também em novos formatos, como o digital.
Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, a deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) destacou a necessidade de aprimoramento da legislação.
“Enquanto houver uma mulher sendo violentada, não podemos dizer que estamos caminhando para frente. Caminhar para frente significa fazer reparação do passado, significa o Congresso ter mais mulheres negras e mulheres indígenas.”
Leila Linhares, do Consórcio Lei Maria da Penha, recomendou que a prevenção da violência seja feita desde a escola.
“Educar as gerações para que possam romper com a cultura da discriminação e da violência.”
A secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra, também expressou preocupação com uma geração de jovens com valores machistas mais internalizados. Ela concordou sobre a necessidade de se avançar na prevenção nas escolas, conforme previsto na legislação (Lei 14.164/21).
Outros desafios mencionados por Estela incluem a difusão ampla de redes de apoio às mulheres em todo o território nacional e o funcionamento ininterrupto das delegacias da mulher.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Noéli Nobre








