23/09/2025 19:36 - Transportes
Radioagência
Azul e Gol negam processo fusão em audiência na Câmara
AZUL E GOL NEGAM PROCESSO FUSÃO EM AUDIÊNCIA NA CÂMARA. A REPÓRTER MARIA NEVES ACOMPANHOU.
Em audiência pública na Câmara dos Deputados, representantes da Gol e da Azul negaram a fusão das duas empresas. De acordo com o gerente de Relações Institucionais da Azul, Camilo Coelho, essa possibilidade de junção foi estudada durante a pandemia. Com a recuperação do setor aéreo nos últimos três anos, no entanto, teria sido completamente descartada.
“A fusão não é um fato, a gente não chegou a submeter formalmente nada ao Cade, a gente fez um formulário de consulta, um pré-formulário ou alguma coisa assim, num outro ambiente, num outro cenário, num outro momento das empresas que já passou, já não está mais aí, então o foco da Azul agora é terminar sua recuperação judicial.”
Da mesma maneira, o assessor da presidência da Gol Alberto Fajerman admitiu conversas para a fusão das duas companhias devido às dificuldades financeiras da empresa depois da pandemia, mas também assegurou que a ideia já foi completamente abandonada. A Gol entrou em recuperação judicial no ano passado, mas concluiu o processo em junho.
Por sugestão dos deputados Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) e Daniel Almeida (PCdoB-BA), a Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor discutiu os rumores de que a Gol e a Azul planejavam uma fusão. Os participantes também debateram suspeitas de combinação de preços de passagens aéreas entre as três empresas que atuam no mercado brasileiro – Gol, Azul e Latam.
De acordo com presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Gustavo Augusto Freitas de Lima, existe um processo em curso no Conselho de Defesa Econômica para analisar as denúncias. O diretor do Cade afirmou que, embora ainda não se possa chegar a nenhuma conclusão, há indícios que apontam a possibilidade de combinação de preço entre as empresas.
“As projeções indicam que nós estamos tendo o aumento de passageiros, as projeções do setor são muito positivas, ou seja, seria uma época em que as empresas estariam investindo e ampliando. E nós estamos vendo o movimento contrário, ou seja, uma diminuição do número de voos. Isso chama a atenção. Os dados ainda não são 100% conclusivos, mas os dados que temos até agora indicam problemas de rivalidade.”
Durante a pandemia, a Azul operou algumas rotas de forma conjunta com Latam, e depois com a Gol, como explicou o gerente de Relações Institucionais da empresa, Camilo Coelho. O executivo argumentou que essa operação conjunta não reduziu a concorrência, porque não eram trechos compartilhados anteriormente pelas empresas.
Pesquisa apresentada pela presidente do Instituto Brasileiro de Concorrência e Inovação, Juliana Oliveira Domingues, no entanto, mostrou um cenário diferente. De acordo com a especialista, que também é professora da Universidade de São Paulo, devido à operação conjunta com a Gol, a Azul reduziu o número de rotas e houve um aumento médio de 23% no preço das passagens.
Segundo o representante da Companhia, Camilo Coelho, entretanto, a redução de rotas ocorreu para cortar custos quando a Azul entrou em recuperação judicial, em julho deste ano.
De acordo com o deputado Daniel Almeida, há grau de insatisfação muito grande com os serviços aéreos no país, e é preciso encontrar razões para as queixas de modo a construir um ambiente mais saudável.
“Se tem instabilidade nas rotas, se tem estabilidade nos horários que podem definir, se as pessoas compram com mais antecedência ou menos antecedência, porque você, a vez, compre uma horário muda, a rota muda, então é um conjunto de fatores que leva a um ambiente de profunda instabilidade. Eu não sou em especialista no assunto, nem quero apontar aqui responsabilidade individual, tem acho que é um conjunto de atores que devem sentir e responsável para buscar um caminho, buscar alternativa.”
Segundo o diretor do Departamento de Proteção e Defesa da Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (Senacon), Vitor Hugo do Amaral Ferreira, de 2023 a agosto de 2025 a plataforma consumidor.gov.br recebeu mais de 240 mil reclamações fundamentadas contra as empresas aéreas.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Maria Neves








